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sexta-feira, 13 de março de 2009

Chronos, lógico!

Chronos é o Tempo. O Tempo medido. O Tempo que é marcado pelo bater do tic-tac do relógio.

Só que o Tempo pode ser um cara muito inconstante. Tudo depende, veja bem, não seja tão rígido! Nada é assim, preto no branco. É um grande pantone de tons de cinza.

O Tempo pode ser um prestador de serviços dos mais picaretas que há: olha pra cara do freguês e decide na hora o preço que vai cobrar. Não tem como a gente saber de antemão quanto tempo efetivamente ele vai cobrar da gente.

O Tempo às vezes opera o nosso tempo numa grande bolsa de valores que sobe ou desce de acordo com a nossa aflição.

Um expediente de segunda feira dura 30 horas.
Um sábado tem só 9 horas.
Uma hora de terapia acaba em 5 minutos.
Meia hora de sono equivale a quase 1 segundo.
Uma semana sozinha leva um ano pra passar.

...

E assim os gregos descobriram kairós, que não é tempo chronos - com seu ritmo lógico e sequencial do passar dos anos. Kairós é o tempo daquilo que a gente vive. Bate em tum-tu-tum junto com o coração.


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quinta-feira, 12 de março de 2009

Ando tão piegas romântica...

Morre homem que recebeu segundo coração
O homem de 53 anos que no início do mês ficou com dois corações após transplante realizado no Instituto do Coração, em São Paulo, morreu às 4h30 de ontem, por falência de múltiplos órgãos. O homem precisou de dois corações porque a doença cardíaca que tinha provocou também problemas pulmonares. O "novo" coração foi colocado no lado direito do peito e se ligava ao órgão original pela veia cava e artérias pulmonar e aorta.
(fonte: Jornal da Tarde)

Afff... já pensou se fosse eu que tivesse passado por essa cirurgia?
Teria morrido bem logo! No máximo no dia seguinte.

O atestado de óbito ia ser assim:

identificação: silvinha, paulistana, portadora de RG baixo, deixou este mundo na madrugada do dia tal.
antecedentes: sofria do coração e do pulmão.
causa mortis: suspirou tão profundamente que se asfixiou. morreu de tanto amor.
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quarta-feira, 4 de março de 2009

o corredor X a salinha

sabe o que que era época boa? mas boa meeeesmo?

era a fase que eu e meus amigos estávamos no começo da carreira. ninguém ainda tinha dado certo na vida, mas existia uma certa esperança e uma certa chance de que a gente ia virar alguma coisa. estávamos semi-encaminhados, mas lá no final da cadeia alimentar, por assim dizer.
todo mundo meio em cargos de peão, ocupando o espaço do corredor, mas cheios de gás, cheios de idéias. e de brilho. a gente tinha que por a mão na massa, trabalhar pra valer, às vezes tinha algum pepino que só a gente sabia resolver. principalmente se era alguma coisa no computador. logo eu! a estagiária recém-formada era obrigada a passar a noite refazendo o trabalho deles porque nenhum dos fodidões sabia nada! na-da! só tinha mané naquele lugar...

foram várias altas horas fazendo trabalho braçal. mas sem muita responsabilidade. sem ter que decidir nada. só cumprindo as ordens que vinham do cara lá da salinha. ah! que longos cafés a gente tomava naquele corredor reclamando que alguém tinha dado tanta coisa pra gente fazer! o que que eles estavam pensando? por que não decidiu antes que era pra fazer do jeito B e pediu o jeito A? sabe come é chefe, né? chegou lá por pura politicagem, mas é uma anta.

só que naquela época, quando a gente ia pra casa, não levava nenhuma preocupação. a gente era feliz e quase não sabia que era depois do trabalho no corredor que a vida mostrava seu lado mais doce: sentar no bar com todo mundo e reclamar de o quanto o mundo era injusto por a gente não ter a grana e o tipo de trabalho que merecia! na boa, fora a gente, só tinha imbecil no mundo! a gente era a promessa. a solução. a genialidade bruta e incompreendida.

a gente passava noites e noites juntos no bar, inconformados com a incompetência e a mediocridade dos nossos chefes. se quem manda não fosse tão medíocre, nosso talento já teria sido revelado! é que aqueles adultos, sentados nas suas salinhas, insistiam em fazer tudo errado. não sabiam nem usar o excel e vinham mandar a gente, que estava naquela mesinha improvisada no corredor, refazer todo o trabalho que eles mesmos tinham pedido. e nem falavam inglês direito! como é que um despreparado desses virava chefe? a gente não entendia.


até que um dia a gente ganhou uma salinha qualquer, um crachá escrito aspone, um pouco mais de grana e muito, mas muito mais responsabilidade. e o compromisso de fazer acontecer no mundo real, nem que tivesse que ser medíocre. a gente aprendeu que o que funciona é o arroz com feijão, desde que seja no prazo e dentro dos critérios estabelecidos.

e em troca a gente abriu mão da nossa cabeça fresca no final de semana, do nosso tempo livre pra tomar longos cafés ou infinitas cervejinhas no bar. e quer saber o pior de tudo? a gente teve que abrir mão de talvez ser genial. e teve que parar de ficar só reclamando pelos corredores. o mundo não é justo mesmo.
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ontem foi terça?

ok, ok. eu entendo. vocês têm mais o que fazer.
claro, claro... na boa.

quem é que precisa de amigos inteligentes e cínicos pra fazer piada com tudo e debochar da patética condição humana numa mesa de bar, anyway?

contato humano é tão overrated na era da TV a cabo!

deixa tá. na hora que eu quiser eu arrumo companhia inteligente cínica e debochada...

humpf...

terça-feira, 3 de março de 2009

acho que eu tenho quase certeza absoluta

ou eu não poderia ser uma covre com certeza talvez

Tenho uma amiga que tem um gosto particular por saber a verdade por trás de tudo. Tinha que ser cientista, né? A gente estava no País Basco, num pueblito maravilhoso, todo lindinho, florido, europeuzinho, com gente simpática, bicicletas, igrejinhas. Um dia eu acordo e ela já está vestida, pronta pra sair:
-Vou 'desmascarar' essa cidade!
- Hein?
- É. Vou andar nas ruas laterais, vou chegar na periferia! Isso aqui tá tudo muito certinho. Só pode ser de mentira!

Na época eu achei muito engraçado e não dei muita trela. Uns tempos depois entendi que essa inquietação dela também me aflige. E que o negócio é muito mais sério do que parece. E se manifesta de várias formas. O que essas expressões de aflição têm em comum é o maldito assunto recorrente da minha cabeça nos últimos tempos: eu questiono tudo, duvido de tudo e não tenho nunca certeza de nada.

É sempre essa mesma mania. Se está muito arrumado quero saber se funciona na bagunça. Se está muito quieto quero saber se vai suportar quando houver barulho. Se está muito bom quero saber o que vai acontecer quando ficar ruim.

Que ódio dessa insuportável consciência de que tudo muda e de que nada é só bom ou só mau. Seria tão mais fácil classificar as coisas em certo e errado e apagar os tons de cinza!

Sem falar na insanidade que é ter que conviver com a relatividade histórica das coisas! Já reparou que nunca dá pra saber se algo aconteceu para melhor ou para pior? Sabe a perna quebrada que te impede de jogar no campeonato da escola e mais pra frente te deixa pra fora do time da cidade e depois ainda te deixa fora das olimpíadas, mas que no fim foi o que te tirou daquele avião de atletas que caiu e matou todo mundo?

O que eu queria mesmo era ter certeza que o que parece a melhor escolha hoje não vai virar a pior estupidez da minha vida amanhã.

Dá muito trabalho viver nessa vida de ponderações, entretantos e poréns. Affff...


it ain't over 'till it's over. you'll never know...
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domingo, 1 de março de 2009

O frescor, a minha inquietude e os meus dentes

ou mais um capítulo das Memórias do Século Passado

Eu devia ter uns 13 anos, não parecia mais criança, mas ainda não tinha muita cara de nada. Estava na frente do espelho estranhando aquela pessoa que eu via. Minha mãe entrou no quarto e, provavelmente sensibilizada com a minha cara de desapontamento, perguntou se estava tudo bem.
- Eu não gosto das serrinhas nos meus dentes.
- Ah filha! Elas só querem dizer que você é jovem, meu amor.
- Eu não gosto...

Mal sabia eu o quanto eu ia apreciar o que queriam dizer minhas serrinhas agora que elas são só um vestígio de imprecisão nos meus enormes dentes, e quase já não dizem mais nada daquilo.

Eu quero conservar o máximo que eu puder a risada fácil daqueles dias. A cabeça fresca, o inconformismo e a paixão fugaz pelas histórias e pessoas que passam pela minha vida. Quero morrer velhinha ouvindo música alta e quebrando a cabeça pra fazer coisas novas. De preferência cada vez mais difíceis. Porque por mais que eu busque incansavelmente uma zona de conforto, a calmaria acaba me irritando demais depois dos primeiros 10 minutos. Como diz a Penelope Cruz (na pele da Maria Helena no filme mais almodovariano do Woody Allen) com seu irresistível sotaque: cronic insatisfaction!

Quer saber? Fuck it! Alguma hora eu vou ter que aprender a abraçar a insatisfação eterna e entrar sem tanta relutância no seu looping recursivo infinito. E vambora procurar a próxima. encrenca.

Vai ver que é isso que as minhas quase idas serrinhas dos dentes querem dizer nessas alturas do campeonato.
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Workaholic

Hoje eu tô uma máquina de trabalhar.
100% de foco no trabalho! Igual a moça da música aí:


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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Going nowhere. But fast.

Ela acordou cansada e percebeu que não tinha dormido. Andava trabalhando tanto que transformou a própria vida num projeto.

Etapas pré-estabelecidas, prazos, deliverables. Eficiência, tarefas cumpridas, follow up. Metas. Controle de riscos. Sucesso.

Daí dormir não tinha mais a função de descansar. Só servia de atalho pra chegar mais rápido no próximo dia de expediente.










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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O Pato, o gato e o tempo

Eu não sou muito fã de Pato Fu. Recentemente até tentei ouví-los com mais simpatia, porque um amigo recomendou. E ele é um cara que manda bem em recomendações musicais. Tentei de coração aberto. Ainda assim... hummm... não rolou. Porém, sou honesta em admitir que em "Sobre o Tempo" eles acertaram a mão. Adoro letra, música e voz. Adoro tudo.

Tempo, tempo mano velho,
falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio.

.........................................................Pra ver a letra completa clique aqui.



Ainda não decidi se acho que a Patakai parece otimista ou 'eufemista' quando diz que "falta um tanto"...

Lets face it: o tempo NUNCA vai correr macio.

Ele vem com tudo e chega chegando de voadora no peito e te agarra e te joga no chão com queda de cambalhota e quando você vê está rolando em turbilhão pela vida que nem palha d'oeste carregando todas as suas coisinhas e também mais um monte de outras tantas coisas que vão grudando em você sem chance de escolher direito pra que lado você queria ir.

Pra fazer tudo que eu quero e viver todas as histórias que eu quero não ia adiantar aumentar só um pouco as 24 horas de cada dia. Ia ter que aumentar mesmo o tanto de vida que eu ia viver.

Agora que eu gosto da vida de novo eu queria ter tempo pra viver várias vidas que nem gato mas só que tinha que ser gato dos americanos que é o gato do tipo que tem nove vidas e não só sete que nem os gatos que a gente ouve falar por aqui.
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Feeling lucky

Ontem entreguei a etapa final de um projeto. Foi um trabalho difícil e eu tinha pouco tempo pra resolver. No fim consegui ficar satisfeita com o resultado, entreguei, encerrei o assunto. E saí com aquela sensação maravilhosa de dever cumprido.

Ontem foi bacana, fazia tempo que eu não me sentia tão bem.

Hoje acordei leve e feliz. Otimista com o mundo. Liguei o rádio do carro e a primeira coisa que ouvi foi um cara cantando e me dizendo que hoje é meu dia de sorte. E que não é pra deixar a oportunidade passar. Acho que você consegue, ele disse. E essa é a hora de mostrar.

Saia da sua zona de conforto...
... e diga ao que veio em dois mil e prove!




Lucky Day (Sasha)

You're looking lost
and I don't know the reason
All that I know is that you should not be
Don't run away
the time is now, the place is here
Don't hesitate, for this is very urgent
I'm in a state in which I should not be
It's up to you, to let a minute save your day

Show me what you got,
I know you've got a lot
So don't you let it slip away
Just show me what it takes to hold you,
maybe no one told you
Trust me when I say
Today's your lucky day
Today's your lucky day


Pra ver a letra inteira clique aqui.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Na testa

Finalmente decidi a frase da minha tatoo!


não guenta, não vem.

all we need is love.


you WHAT???

same old shit

who’s bipolar?

pare el mundo que yo me bajo!

viver não é preciso.

you gotta be kidding!

you’re kidding! RIGHT?

eu te disse!

quando eu cheguei já estava assim

Niii !

o último a sair apaga a luz

je m'em fous

ah! se eu pudesse...

pleased to please you

tá olhando o quê?

i beg your pardon?

ou vocês abaixam o som ou eu acendo a luz!

don’t you dare!

entendeu ou quer que desenhe?

c'est trois fois mieux toute seule

hahahahaha!

thanks. but no thanks.

essa porra vai dar merda

obama who?

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Why so deep?

E tem gente que agradece! E ainda paga.

O perigo é que qualquer hora eu me afogo num pires...

E isso vai ser daquelas tragédias bizarras que dão vontade de rir. Não dá nem pra contar com a simpatia alheia, sabe?





















Drowning Reflection by ~HitsuzenMan on deviantART
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Para Começar a Semana

ou Why I Hate Mondays
ou Eu Sou uma Besta
ou Why One Should Never Tease the Gremlins

Para definir o mood da sua semana, a preparação deve começar no domingo:

1) Acorde bem tarde e preste atenção no seu humor. Perceba o quão mais feliz você é quando não é despertada pelo alarme do relógio as 6:30 da manhã. Veja como o álcool da noite anterior não te afeta quando você descansa adequadamente.

2) Tome um café da manhã sem pressa. Enquanto isso, fantasie um mundo ideal onde a semana teria 2 dias e o final de semana teria 5. Pense em como seria mais fácil ser feliz em circunstâncias absolutamente impossíveis.

3) Volte pra cama e permita-se curtir a preguiça. Inconforme-se com a injustiça de não poder fazer só o que quer todos os dias. Nutra uma certa antipatia pela vida real.

4) Almoce com amigos e familiares. Apenas alguns deles. Mas pense e fale bastante sobre os ausentes e da falta que eles fazem. Beba vinho. Bastante vinho.

5) Vá ao cinema assistir um filme comovente que fala sobre a inexorabilidade do tempo, a fragilidade da vida, a impermanência das coisas, os limites da existência e a perda daqueles que amamos.

6) Ingira doses industriais de cafeína através de frapuccinos, expressos, chocolates.

7) Encerre a noite com algumas taças de vinho. Antes de ir dormir, dê uma rápida olhada em sua agenda e comece a pensar em todos os compromissos e tarefas que terá que dar conta durante a semana.

8) Tenha uma noite miserável tentando negociar com os Gremlins que você passou o dia todo provocando.





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sábado, 17 de janeiro de 2009

Espelho, espelho meu.

- eu tô que nem um passarinho às 3 da madrugada.
- que gostoso! um sabiá descansando da cantoria?
- não. uma coruja de olhos abertos por causa dos pesadelos.












POSTED AT 3:05 AM FROM MY OWN PRIVATE IDAHO
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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

2009 é caça-gazeteiro

Voltei pro consultório hoje, depois de quase 3 semanas inteirinhas de férias. É meio engraçado mas eu sinto como se 2009 estivesse começando agora.

Ainda não parei muito pra pensar em 2009. Assim, 'encarando de frente', sabe? Mas pensando agora, eu já tenho umas pistas. Do que não depende muito de mim, parece que vai ser um ano com bastante trabalho, principalmente um aumento considerável de produção acadêmica (leia-se: sem retorno financeiro, pelo menos imediato). E talvez um pouco mais de desafios no trabalho clínico, pois tem chegado uma turma mais heterogênea no consultório.

E do que depende mais diretamente de mim, 2009 tá com cara de quem não aceita frases evasivas e piadinhas como resposta. Não vai dar pra cabular tanto em 2009 como eu vinha fazendo nos últimos tempos. Tenho a sensação de que vou ter que assumir umas mudanças, sejam elas na vida prática ou nos planos de futuro. A perspectiva de mudança é ruim boa péssima ótima tão boa e tão ruim ao mesmo tempo que eu acabo paralisando.

Medo, pânico, gremlins. Acho que o verbo 'mudar' deveria ser conjugado assim: Eu mEdo, Tu mudas, Ele muda.
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32 graus na sombra

Calor dos infernos.
Impossível ter elegância no verão. A não ser que você tenha um emprego fashion-tolerante e seja magra-esquálida e super-gata pra arcar com a responsa de deixar muita pele à mostra.
Hoje não tá fácil!
Queria sol de primeiro mundo, que só ilumina e não esquenta.
E queria também uma burca.
Tô de mal do tempo, da vida séria e do espelho!

E tem mais: ponho hífen onde eu quiser. O blog é meu e pronto.
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Era uma vez...

"Era uma vez uma garota que sempre foi muito CDF e tinha uma profissão que às vezes deixava ela muito triste, de tanto ver sofrimento. O trabalho dela não tinha glamour nenhum, não ia fazer ela ficar rica e de vez em quando ficava muito, mas muito chato mesmo.

Ainda assim, ela continuava fazendo aquilo todos os dias, pois achava que era o que ela sabia fazer bem feito. E ela tinha dificuldade de fazer coisas que ela achava que não sabia fazer direito. E era bem medrosa. E também porque ela não tinha nenhuma idéia melhor.

Um belo dia, digo, uma bela noite - acho que era uma terça-feira ou um final de semana - aconteceu uma coisa extraordinária! Ela foi descoberta por um olheiro da Agência de Empregos Felizes. Esse agente foi capaz de enxergar o real talento daquela garota e sabia como fazer este dom virar uma coisa produtiva e rentável!

A partir de então, recebendo um salário de petrodólares da indústria da cultura e do entretenimento, ela passou a exercer a profissão de companhia-de-pessoas-legais em cafés, bares, cinemas, baladas de gente esquisita e viagens maravilhosas! Seu rendimento profissional era agora medido por seu envolvimento em conversas animadas, piadas sensacionais e discussões filosóficas sobre a vida. Ela estava sempre cercada de gente bacana e interessante, e não precisava conviver com nenhuma pessoa que fosse mala ou do mal.

E foram todos felizes para sempre!"

F I M

O Insuportável Peso do Ser

Pronto. Fui contaminada pelo bug das retrospectivas. Sem querer me peguei pensando no ano de 2008 e seus eventos com certa nostalgia. Vou poupá-los de listas de conquistas e fiascos e vou me concentrar numa coisa só, pra resumir esse ano:
NÃO SEI O QUE SERIA DE MIM SEM MEUS AMIGOS.

O fato é que 2008 trouxe consigo a pior crise de identidade que eu já vivi - ou já ouvi relatos. Não é depressão, não é insatisfação, não é piripaque, não é doença. É mesmo a boa e velha crise existencial. Linda. Poética. Sofrida. Desgraçada. Um mergulho de peito aberto do despenhadeiro para o poço fundo que os alemães chamam de Angst.

Kierkegaard, seu danadinho! Heidegger, seu fiadaputa! Agora eu entendi o que vocês estavam querendo dizer... Socorro! Se eu já era pensativa e intensa desde pequena, esse ano atingi o ápice da chatice e da necessidade de tagarelar sobre a vida. Foi difícil - até pra mim - me aturar esse ano. Queridos amigos, não pensem que vossos esforços passaram despercebidos. Valeu aí, galera.
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Se fosse, o que seria?

Tem uma brincadeira de turminha adolescente que chama 'se fosse o que seria'. Se o Guto fosse um animal, que animal ele seria? Daí outras pessoas dão seus palpites e explicam o porquê da escolha. Ah! Ele seria um macaco, porque ele é engraçadinho e não pára quieto. E se a Dani fosse um estilo de música, qual ela seria? E assim vai.

Esta noite sonhei que estava brincando de 'se fosse o que seria' com a Madonna e a Katy Perry. A Madonna disse que se a Katy fosse um objeto, ela seria um jornal de ontem. A Katy ficou chateada e falou que aquilo tinha sido grosseiro. Na minha vez, a Madonna disse que eu seria uma folha em branco, porque eu não era notícia nenhuma. Nessa hora as duas ficaram rindo um pouco malvadas, mas eu nem me importei. A Katy disse que a Madonna seria uma fatia de melancia se ela fosse uma sobremesa e a Madonna disse a mesma coisa da Katy, mas no sonho isso era um pouco mais interessante e deixou um clima de cumplicidade entre as duas. Quando eu tinha que ser a sobremesa elas disseram que eu seria mousse de chocolate e que era sorte minha.

Acordei pensando que o mundo é cruel com as mulheres. Um pouco mais sorte temos nós, reles mortais, mulheres anônimas, que de vez em quando tem o direito de se acabar numa incrível sobremesa-bomba e sem ter que ver seu deslize revelado em uma foto gorducha na primeira página do jornal.
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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Pertences

Lembro do tempo que eu saía de casa com um dinheirinho miúdo e a xerox do RG enfiados no maço de cigarro, uma chave num cordão no pescoço, guardada dentro da blusa. Só isso. Não tinha carro, não usava salto alto, andava de sandalinha. Era ônibus, metrô, carona. Saía de um lugar, não deixava nada pra trás. Levava só eu comigo, e era tudo que eu tinha. E às vezes era até mais do que eu conseguia dar conta.

Essa época era boa, mas também tinha muita incerteza. Eu não sabia se ia conseguir ser alguém importante pras outras pessoas, se ia conseguir fazer coisas relevantes da minha vida, se ia pertencer a algum lugar.

Tem um texto de alguém, não consigo lembrar quem, que diz que a quantidade de chaves que a gente carrega é proporcional ao tanto de responsabilidade que a gente tem. Pura verdade. Hoje eu cuido de portas, portões, cofres e cadeados. Tem sempre alguém querendo saber por onde eu ando. Eu estou sempre devendo alguma coisa pra alguém, assumindo muito mais compromissos do que eu posso cumprir. O dia-a-dia de várias pessoas depende das minhas ações e se ressente com a minha inércia. É raro eu poder exercer o direito de não dar satisfação, sumir ou sair sem as chaves.

Ontem eu fiz um mini-exercício de desprendimento. Saí de casa com a roupa do corpo, levando uma bolsinha a tiracolo com a chave da porta da frente, meu cigarrinho, celular, carteira de motorista, uma grana, um e-ticket impresso e um ingresso de estudante gambiarra pro show da Madonna. Não era tão pouca coisa assim, mas juro que foi muito difícil. O que era tão natural há alguns anos me deixou muito esquisita nos primeiros momentos. Com aquela sensação de estou esquecendo algo, estou sendo irresponsável, estou deixando passar alguma coisa.

Por sorte, em Congonhas eu encontrei aquela menina de sandalinha que eu era antigamente. Consegui desencanar. Fui pro Rio, encontrei meu brother, tomei um monte de cerveja no copo de isopor, tirei sarro e fiquei melhores amigos com a galera na pista do Maracanã, vi o show, cantei, dançei até a última ponta. Não precisei de nada que não tivesse levado. Saí de lá feliiiiiz da vida, levando só eu e meu irmão. Tudo que era importante.
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