domingo, 30 de novembro de 2008

Como fala essa menina!

Bem que eu sabia! Isso aqui ajuda a gente a por ordem nas idéias.

Freud já dizia que falar cura. Agora a Scientific American reuniu pesquisas que dizem que escrever também faz bem pra cabeça. Palavras, palavras. Parole, parole. Quando começo a desconfiar que os amigos não aguentam mais me ouvir falar tanto, a saída é escrever. Viva os posts de condensados de conteúdo de terapia!

A Méliss falou pouco, mas falou tudo: "blog é o novo divã".
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Deve ser o Corn Flakes toda manhã

Às vezes é bom ficar perto de gente rica, viu? Pra toda hora não é muito recomendável, por motivos óbvios do efeito que a comparação vai fazer com o que você acha da sua própria vida. Mas pra de vez em quando... amigos milionários são o que há!

Festas sensacionais, lugares incríveis, presentinhos, mimos. Comidinhas, bebidinhas, cristais, prataria, música. Muita risada, vida boa, tudo fácil. E já reparou como eles são bonitos? E têm bom gosto? E são educados e gentis? E o tanto que eles são altos?

Mas o importante é ter saúde, né gentê?
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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Só mais essa vez...

Olha! Eu juro... É sério... desculpa mesmo que eu atrasei! Foi mal. Eu sei, eu sei que foi mal. Mas é que é muito irresistível! De novo eu caí na tentação de apertar o Snooze.
Daí ele me deu uma chave de perna e me agarrou pelos cabelos e me olhou com uma carinha e falou:
- Ah, vai... fica aí mais nove minutos...

Quando eu vi... já era!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Les Femmes du Cinema

Nesta semana rolou um festival de cinema francês aqui em São Paulo. Acho que era um pocket festival, na verdade: poucos filmes, uma sala só por dia. Dois ou três contemporâneos e mais uns clássicos, como o Jules et Jim, um dos meus favoritos de todos os tempos.

Menos por especial interesse e mais pela conveniência de horário*, acabei indo ver Felix et Lolla (você deve pronunciar Fêlííx e Lollá). Esse é um filme de 2001, dirigido por um cara chamado Patrice Leconte, de quem eu confesso só conhecia O Marido da Cabeleireira - daqueles filmes deliciosos sobre personagens mal resolvidos chafurdando em um relacionamento improvável (considerado fantástico por 10 entre 10 estudantes de psicologia).

Onze anos depois de discutir a relação entre a cabeleireira e o homem que teve a infância triste, Monsieur Leconte, resolve unir o dono de parque de diversões ugly-sexy Felix e a jovem triste-enigmática-eu-uso-muito-lápis-no-olho Lolla. Um filmezinho quase inócuo sobre uma relação meio sem tensão e sem cuidado, que engata mais pela falta de perspectiva na vida dos dois do que qualquer outro motivo.

Uma das poucas idéias boas do filme é assinalar uma certa queda que homens bacanas têm por mulheres distímicas e que atuam a carência fazendo criancices pra chamar a atenção. Saí pensando que qualquer 20 mg de Prozac talvez deixassem a Lolla menos atraente pra alguns, mas definitivamente bem menos chatinha.


*Foi mal Méliss! Eu confundi as datas. Sorry.
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A calada da noite

Fui pra lá já era tarde. Depois de um dia de trabalho, já meio baleada. Quando eu cheguei ele já estava me esperando. Sorriso aberto, sabia meu nome, cumprimentou charmoso, a mão ficou no ombro, tentando me deixar a vontade (em vão).
- É sua primeira vez?
- É... não... mas...
- Hehe. Então você vai me dar trabalho, né?
- Heh...
- Já veio preparada pra fazer hoje?
- Ãmm...
- O que você prefere fazer?
- É... eu...
- Quantas vezes por semana você tá pensando?
- Hmm...
- Quais são seus objetivos aqui?
- Eu...
- Prefere musculação ou aeróbicos?
- ...
Ele falou, falou, falou, mediu, pesou, cronometrou. Vamos começar com tudo, então? U-hu! Beijo! Até amanhã!

Eu entrei muda e saí calada.
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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Intempéries

Aquele cantinho da sala da nossa casa parece o pátio da casa da Frida Kahlo. É cheio das nossas referências, dos nossos gostos, coisinhas penduradas, mantas, plantas, o oratório que eu trouxe da Bahia. A orquídia rosa está super florida, eu ganhei dos meus meninos pequenos no meu aniversário e coloquei naquele vaso que eu adoro, de porcelana coral. Tem uma corrente de contas de cristal com o passarinho de vidro na janela. Os cristais espalham o sol em bolotas de arco-iris pelas paredes. E o espelho grande duplica todas as cores. Amarelo, açafrão, azul, verde, roxo, magenta, laranja, vermelho.

Em tarde abafada de deserto mexicano não dá vontade de se mexer pra não piorar o calor. Mas eu tive que sair correndo por causa do aperto enorme na garganta na hora que eu vi que estava tudo molhado, porque chovia lá dentro. Meu amigo falou que no deserto do Chile as casas não tem teto. Na certeza da estiagem, a proteção que o teto poderia oferecer perderia o sentido e seria só prisão. Mas pobrezito de quem tem tanta certeza de alguma coisa. Essa casinha que a gente constrói em dois tem que cobrir sim, e cuidar todo dia. Esses cantinhos da nossa vida cheio das nossas coisas são sagrados. A gente não pode deixar nada estragar.
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terça-feira, 25 de novembro de 2008

Pra falar de muros, coração e chuva

Quando eles eram pequenos eles brincavam juntos. Eles gostavam de dançar em cima dos muros. Ela sempre subia mais rápido que ele, mas depois tinha medo de descer. Ele sempre ajudava ela a descer, emprestava o ombro pra ela usar de escadinha.

Uma vez eles estavam em cima do muro e começou a chover. Quando ele estava ajudando ela, por causa da chuva, ela acabou caindo e quebrou o braço. Ele teve muito remorso, porque achava que era culpa dele que não tinha cuidado direito dela. Mas ela falou que aquilo era bobagem dele. Não era culpa de ninguém. A chuva que veio de repente. Ele assinou no gesso dela e fez um coração.

Depois que o braço dela sarou, eles voltaram a brincar nos muros todo dia. Agora a chuva não pegava mais eles desprevenidos, porque a cicatriz dela começava a doer quando o tempo ia mudar.
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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Memórias do Século Passado III

Não tenho o que reclamar dos meus pais. Eles fizeram um ótimo trabalho comigo e meus irmãos. Mas a dura realidade é que a vida em família é um trabalho hercúleo e é impossível criar filhos sem gerar traumas.

A pobre da minha mãe passava os dias cuidando da casa e de duas crianças pequenas. Vez ou outra, acabava desabafando: "Um dia desses eu sumo. Vou me embora pra Manaus!" - era sempre Manaus.

Cara, era foda! Até hoje eu não sei porque ela escolheu Manaus como rota de fuga. Pra mim, pequena, mesmo sem conhecer ou ter qualquer referência a respeito, tal cidade nunca inspirou muita simpatia. Eu achava que Manaus era uma grande Zona Franca - que eu também não sabia o que era - onde as mães se refugiavam de seus filhos desagradáveis.

Passado o tempo do medo real do abandono, a minha antipatia pela cidade ficou meio que esquecida por anos. Até que recebi o convite para o casamento de um amigo querido, que vai ser no mês que vem, em Manaus. Essas lembranças vieram à tona, claro, como uma piada de mau gosto da minha mãe que nós, filhos, nunca soubemos apreciar.

Agora estou com a passagem comprada, vou pra lá sem medo e acho que vou adorar a cidade. Mas confesso que lá no fundo eu estou aliviada de não ser mãe. Se eu tivesse filhos, sem dúvida a ameaça de sumiço já teria rolado muitas vezes. E, na boa, nenhum de nós ia ter muita certeza sobre o meu retorno.
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Desabafo!

No meu mundo ideal a meritocracia ia valer de verdade.

Essa capachocracia* que rola hoje por aí não ia ter vez. O cara bom teria o que lhe fosse de direito. O cara ruim ia pastar. Não ia adiantar puxar saco. Paciência. So sorry. Lamento.

Vamos ver se deu pra entender: o cara incompetente e bonzinho CONTINUA incompetente. A gente até gosta mais dele do que do incompetente e mau-caráter, mas AMBOS são igualmente incompetentes. Sacou?


*o nome originalmente inventado pela Pri e eu era limpabundocracia, mas achei meio pesado.
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domingo, 23 de novembro de 2008

Burn (This Cliche) After Reading

O clichê #1: falar que as pessoas se "reinventam".
O clichê #2: chamar essas pessoas de "camaleões".
O clichê #3: usar o velho truque do "separados no nascimento".
(hahaha tô adorando isso!)
O achado: Alex Atala está no novo filme dos irmãos Cohen.
O clichê#4 (incidental): chamar os caras de "os irmãos Cohen".
O post propriamente dito:

"De punk do ABC a badalado cheff nos jardins, o camaleão Alex Atala mais uma vez se reinventa e ataca de galã no novo trabalho dos irmãos Cohen!"
Ai, ai, ai... e o que dizer sobre a expressão "ataca de galã"?


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sábado, 22 de novembro de 2008

La Notte Chiara

Ela tinha uns 22 anos, era contadora de histórias, atriz de teatro, fazia comunicação ou artes de alguma coisa na PUC. Estva sempre cercada de gente, era muito doce, meio bruxa. Sacava as pessoas, mesmo sendo tão menina. Era super intensa em tudo que fazia, ria por tudo, escancarava a própria vida pra qualquer um. Falava sem parar. Tinha uma graça drewbarrymoresque, meio estabanada, meio charmosa. Ela tinha sido a Noite na última peça. Combinava total, fosse escura que nem um breu ou clara, cheia de lua e estrelas.

Um dia eu cheguei e ela estava triste, brava, inconformada. Ele não tinha ligado. E também nem apareceu. Ele só ligava quando combinava. Era uma vez de cada. E sempre naquela hora, mas ela achou que talvez ele pudesse uma vez ligar sem combinar. Porque ela tinha saudades e tinha falado pra ele. No começo ela achou que dobrava ele. Que ele ia acabar se empolgando e ligando fora de hora. Talvez até aparecesse, assim, sem mais essa nem aquela. Mas isso aí não ia acontecer, não. Ele até que cumpria o que prometia, mas nem prometia muito pra não deixar ela esperando. Ou sei lá se era exatamente pra ela ficar esperando, mas aquilo fazia ela sofrer demais.

"Eu quero uma surpresa! Sabe? Apareci, liguei, enlouqueci! Eu quero assim... um de repente! Eu não quero um funcionário público do amor!"

Ela era tão menina e achava que já sabia o que queria.
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sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Espelho, espelho meu!

- puxa. hoje eu estou um urso panda.
- ai, que amor! um bichinho raro e fofo?
- não. lenta e com olheiras.
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Ah! Quem quiser conhecer a descrição mais bacana de preguiça, vai lá ver o que o amigo Gustavo escreveu.
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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Tá bom assim?

Sabe aquela imagem de uma criancinha na praia tentando esvaziar o mar com um baldinho?

Parece você tentando arrumar esse cabelo de manhã.
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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

My twin

Das melhores épocas da minha vida eu passei do seu lado. E foram épocas tão boas grande parte pela sua presença. Você é a melhor companhia que alguém pode querer. Você é uma das pessoas mais doces que eu já vi. Você é linda, inteligente e talentosa. Você é boa e nunca deixou o mundo te estragar. Meu amor, minha querida, minha igual, minha prima gêmea. Eu queria que a gente pudesse dar risada sem fim durante dias seguidos como a gente fazia. E depois chorar na hora de ir embora por ter que se separar. Eu queria pegar você no colo e agradar seu cabelinho macio. Pra te ajudar a tomar coragem de enfrentar o mundo. Fica mais um pouquinho aqui. Dorme e descansa. A gente tem idéias melhores quando está tranquila. Não precisa sair correndo. Só promete pra mim que não vai deixar o mundo te estragar. Depois a gente vê o que faz.

Eu quero. Eu pego.

GO-GETTER: é uma das minhas expressões favoritas em inglês. Eles usam pra descrever uma pessoa que vai atrás do que quer. Sabe o que quer e faz acontecer. Não fica esperando. Vai lá e consegue. Vai lá e pega!

No fundo, a gente até poderia dizer que o Go-Getter é uma versão politicamente correta, socialmente adaptada e psicologicamente saudável do Plunder*... mas essa é outra história.

Enfim, quando vi esta criaturinha do video achei uma gracinha de go-getter girl. Apesar de ter que admitir que houve uma certa estupidez da parte dela! Não foi atitude de uma mulher madura, convenhamos...

Sei lá, meninas! A gente tem que ir atrás do que quer nessa vida, mas tem que saber onde está se enfiando, não é mesmo?





* Plunder é aquele que faz pilhagem, saqueia. Pega o que é dos outros pela força. É o pirata tosco, de faca entre os dentes. O plunder sai pegando geral porque é a única coisa que ele sabe fazer. Pega até o que não quer. Só pela pilha da pilhagem...