quarta-feira, 20 de maio de 2009

a vontade das coisas

tem algumas coisas que só acontecem quando elas querem.

pra algumas coisas até dá pra facilitar uma situação, tentar influenciar, ou mesmo forçar a barra. mas há outras coisas que absolutamente não dependem de nós, do nosso desejo, nem do nosso esforço. elas tem vontade própria.

assim é um texto, um insight, uma resolução, o amadurecimento.

não adianta olhar bem sério pra uma plantinha e gritar algo do tipo: "você tem que crescer agora, porra!"

além de inútil, fica ridículo.
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terça-feira, 19 de maio de 2009

vanguarda ou aguarda?

eu tive melissinha quando existia da primeira vez.
eu tive walk man antes de todo mundo.
eu tive patins na época da moda.
eu tive mobilette quando quase ninguém tinha.
eu tinha calça boca de sino bem antes de voltar a moda.
eu já era adulta quando finalmente aprendi a falar inglês.
eu tive meu primeiro namorado bem depois das minhas amigas.
eu só comecei a usar protetor solar diariamente há 2 anos.
eu demorei muito pra ter a mínima estabilidade na carreira.
eu entrei no orkut quando todo mundo já estava saindo.
eu acho que ainda vou fazer a minha primeira tatuagem.
eu ainda não sei se um dia vou querer ter filhos.

i am ok with late. i am afraid of too late.
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domingo, 17 de maio de 2009

Moral

Você sabe o que é certo e o que é errado? Você se sente na obrigação de fazer o que é certo? Se não está escrito em lugar nenhum, você deixa de fazer o que quer porque aquilo é errado? Quem define isso aí hoje em dia?

Claro que lei é lei. Mas há coisas sobre as quais não se legisla. O que determina aqueles valores morais e éticos, que deveriam estar acima dos interesses imediatos e zelar por um bem maior?

Antigamente as religiões cumpriam esse papel de forma bem mais eficiente, acho eu, através de instituições terrenas mais poderosas. Acontece que, pelo menos entre as pessoas que tem alguma instrução e liberdade de pensamento, as instituições de regulação moral estão cada vez mais desacreditadas. Nossa moral se constrói em grupos cada vez menores. E os valores éticos passam a ser sustentados por posições cada dia mais individuais, e apesar do grupo ao qual pertencemos. EU faço assim porque EU acho certo.

E aí é que mora o perigo, porque a nossa auto-indulgência pode ficar proporcional ao tanto que a gente admite sair da nossa zona de conforto. O conceito de sacrifício perdeu totalmente o glamour hoje em dia, e me parece que as pessoas vêem cada vez menos motivos que o justifiquem.

A moral, que deveria ser reguladora de foro íntimo, limita-se agora ao espaço público, onde ainda há algum resquício de compromisso com o olhar alheio dentro do grupo. E isso nem vale o tempo todo, porque em última instância o olhar do outro nem importa tanto assim. Ele nem tem tanta moral. Temos todos o rabo preso.

A gente não gosta de quem faz tudo certinho e é super coerente consigo. O olhar dessa pessoa sobre as nossas vergonhas ainda nos incomoda. Quem aguenta incoveniente merece ser ridicularizado, porque ele é o cara que sofre com as regras que ele mesmo impôs. Ele se leva muito a sério! A gente não tem mais paciência pra acreditar que impor regras pra si mesmo faz algum sentido.

Eu tomo banho demorado. E não desligo a água enquanto estou me ensaboando. Dizem aí que vai acabar a água doce do planeta, mas eu pago minhas contas e banho quentinho é tão gostoso.
Eu jogo bituca de cigarro na rua. Entope os bueiros, polui os rios, dá mau exemplo pras crianças, mas é que eu não gosto do cheiro de cigarro apagado dentro do carro.

E os limites vão-se afrouxando cada vez mais. Nossos argumentos vão ficando cada vez mais racionais e imediatos. A regra geral devia ser não faça com os outros o que você não quer que façam com você. E trate o mundo da forma que você gostaria de ser tratado.

É! Mas se ninguém cumpre o que é certo, quem quer ser o único trouxa a se sacrificar? Quem é que sai ganhando com isso?

Moral de malandro é a conveniência.

Porque sem medo do juízo final e sem a promessa da bonança no after hours, o que se quer é tirar da vida tudo que dá pra levar agora.

Só que tem uma ou outra hora que a gente olha um pouquinho pra frente e vê que a vida é curtíssima, e esse corpo é uma casquinha. Então a gente tem medo é de ficar velho ou frágil por qualquer motivo. E daí ter que contar com a moral alheia.

É a eterna culpa judaico-cristã. Essa sim é enraizada.
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sexta-feira, 15 de maio de 2009

hmmmmmm...

...vou aproveitar que esse fim-de-semana é o lençol de mil fios que tá na cama. marido viajando, garoa, lusco-fusco, friozinho. comprei um livro novo pra fazer a virada cultural, virada do tempo, virada no edredon.

considerem aberta a temporada de hibernação.

see you guys on Monday.

bejonaomeliga.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Festival de Cannes 2009

Ebaaaaa!
Cara! Que bom que o Almodóvar existe.
Ele consegue identificar emoções tão pouco óbvias nos filmes dele, que às vezes é difícil de entender porque que eu comecei a chorar naquela hora...

E com esse título e esse trailer, a coisa promete esmagar corações.

Adoooooooro!




Quem vai se acabaaaaaar de tanto sofrer e chorar levanta a mão!!!

terça-feira, 12 de maio de 2009

Atchiiim! Óinc!

Minha amiga acabou de chegar na Europa e escreveu contando que a imigração tem uma fila "exclusiva" que reúne americanos e mexicanos.

Agora eu lí uma reportagem dizendo que a gripe suína chegou a Cuba, Tailândia e Finlândia.

Eita virus democrático!

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(Droga, bem agora que a gente estava usando o argumento da gripe pra convencer o chefe a cancelar o congresso do México e trocar pelo evento da Finlândia, mesmo sendo mais caro...)
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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Uma dancinha ao redor do Mundo

Esse é um caso relativamente antigo, mas que eu relembro de tempos em tempos, principalmente quando me sinto presa dentro da bolha da rotina de trabalho e mais trabalho. Assim como a maioria das coisas interessantes que eu vejo na internet, esse video foi o Pili que me mostrou.

Era uma vez uma cara de Connecticut que se mudou para Los Angeles pra trabalhar numa empresa de informática. Vivia dentro carro: para o trabalho, para o shopping, para casa. Um dia encontrou as circunstâncias favoráveis pra trabalhar fora dos Estados Unidos. Descobriu, então, o prazer de viajar e, como bom americano, arranjou um jeito de capitalizar em cima: descolou um sponsor para financiar suas viagens e assim registrar sua dancinha geeky ao redor do mundo.

O resultado mais famoso é um videozinho que ele fez, chamado "Onde diabos está o Matt?". Basicamente trata-se de um carinha se divertindo e fazendo molecagem em várias locações do planeta, com uma música de fundo tão estranha quanto cativante, que te leva a uma espécie de transe. Essa história me ajuda a lembrar que o mundo é muito maior que nosso dia-a-dia e que viajar é a melhor coisa que há.

Se trabalhar pra caraca tem alguma razão, pode crer que é esta: viajar pra ver o mundo, conhecer gente diferente, coisas impensáveis, outras formas de viver. Ver coisas novas põe nossa realidade limitada em perspectiva e ajuda a gente a não levar essa vidinha tão a sério.




UPDATE:
contribuição do Lavi, que mandou o 3o video do Matt.
clique aqui pra assistir.

Jurassic Park

Na última sexta-feira tivemos visitantes pequenos no apê. Três criaturinhas cheias de energia, perguntas, abraços, piadinhas, músicas, gargalhadas e vontade própria.

Num minuto são um furacão que dá um pouco de medo. Noutro instante estão molinhos, coçando os olhos e pedindo uma mantinha pra se enrolar e apagam em 1,3 segundos.

No sábado eu acordei me sentindo orgulhosa dos meus amigos, que estão criando uma galerinha adorável. E também sentindo que eu ainda não sei nada dessa vida. Eu ainda fico muito surpresa quando encontro um dinossauro entre as almofadas do sofá.
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domingo, 10 de maio de 2009

Outono - Inverno (no meu coração)

Vamos entrar.
Não tenho tempo.

O que é que houve?
O que é que há?

O que é que houve, meu amor, você cortou os seus cabelos?
Foi a tesoura do desejo. Desejo mesmo de mudar.


Música do Alceu Valença. Clique aqui pra ver a letra inteira.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Caramujo

Em 1996 eu montei meu primeiro consultório. Foi uma empreitada em conjunto com mais 6 pessoas, sendo que 2 delas (as únicas que não eram recém-formadas) pularam do barco menos de 1 (um) mês após assinarmos o contrato de aluguel, abrirmos a conta conjunta no banco, contratarmos a imensa reforma, etc e tal.

Mas tava tudo bem, porque a gente estava junto. Ninguém poderia escolher uma turma melhor pra começar a carreira. Sócias, amigas, irmãs. Foram anos de pindaíba coletiva, meses e meses no negativo, trabalhos braçais alternativos pra sustentar o CENPS (era assim que chamava o nosso Centro de Neuropsico).

Apesar de muito trabalho no hospital (não-remunerado) o consultório começou muito fraco e nossas contas eram absurdamente altas. Assim sendo, nosso dinheirinho de pagar as contas e as cervejas vinha da venda de mantas de algodão, trabalho no balcão da cafeteria, aula de balé, aulas de inglês, secretariagem da professora, baby sitting, monitoria de acampamento, rolo com o vale refeição dado pelo pai.

Passados os primeiros anos de puro sufoco, todas nós fomos nos ajeitando e pudemos fazer do consultório nossa fonte de renda principal. Foi a melhor época da minha vida profissional, sem sombra de dúvida.

A gente foi crescendo, namorando, juntando, casando, mudando. Uma saiu e voltou, a outra saiu e mudou, a outra veio, a outra foi, a outra mudou um tempo depois. Em 2006 sobramos eu. Mudei de andar, arrumei uma nova sócia e eis que aqui estou há 13 anos, neste mesmo prédio.

Só que agora eu preciso mudar porque o espaço ficou pequeno demais pra uma sócia e eu. Vou agora em carreira solo. Um consultório só pra mim.

Só que eu tô pra morrer de preguiça e antipatia de pensar em bater perna pra achar um lugar novo (semanas andando, mil telefonemas, negociação de grana, conquistar o novo porteiro, descobrir as manhas do lugar), reformar tudo (semanas e semanas de encheção de saco e gastos exorbitantes), encaixotar minhas coisas, dividir "os bens" com a futura ex-sócia, fazer a mudança, avisar todo mundo (colegas, telefonica, internet, bancos e assim vai)...

Eu sofro demais cada vez que tenho que mudar qualquer coisa, mas a verdade é que eu gosto. Mudança é bom. Eu gosto de coisa nova. Mas tô apavorada de pensar no perrengue que eu vou passar nos próximos tempos.

Porque dessa vez estou como vim ao mundo e como dele sairei: sozinha.
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quinta-feira, 7 de maio de 2009

existe ex-c.d.f.?

Mais um deadline estourado. Trabalhos infindáveis vão-se acumulando em listas na minha agenda e em entradas no outlook. E o pior é que se acumulam em pilhas badernadas conceituais na minha cabeça.

Já houve um tempo em que eu era mais assídua com meus compromissos. Eu cumpria tudo. E se por ventura me atrasasse eu ficava maluca! Trabalhava mais e mais e agilizava pra ficar sempre em dia.

O que aconteceu ao longo dos últimos talvez 5, 6 anos foi que eu acabei me envolvendo com muito mais trabalho do que eu posso de fato cumprir. E como eu não fiquei mais eficiente, a consequencia foi uma grande flexibilização do meu senso de responsabilidade.

Agora eu não faço e meio que tô nem aí... na verdade eu até me preocupo um pouco, mas não o suficiente pra sair correndo atrás de tudo. Eu não sou mais uma pessoa com quem se pode contar.

Eu era 'firmeza'! Mas acabei sendo corrompida pelo sistema.
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quarta-feira, 6 de maio de 2009

Ma è una bestia!

Terremoto violentíssimo na Itália. A linda região de Abruzzo veio abaixo, deixando mortos, feridos, desabrigados. A comunidade internacional se comove com a tragédia e se mobiliza para ajudar de todas as formas possíveis: doando alimentos, roupas, dinheiro e, alguns abnegados, doando o próprio tempo e trabalho braçal.

Nos escombros de uma igreja reunem-se em ação bombeiros, membros da defesa civil, e uma senhora de 41 anos, voluntária da Solidariedade Internacional. O premier italiano visita a região, cumprindo o papel de líder de uma nação em sofrimento. No momento de tirar a foto para marcar tão solene passagem, percebe-se que esta criatura imbecil não levara nenhuma frase pronta pra dizer algo apropriado. Resolve ser "ele mesmo", dirige-se à voluntária alí presente e proclama a célebre frase: "Posso apalpar um pouco a senhora?"

Mas faça-me um favor, né?

Dêem uma olhada nessa "pérola":



Filhote! Entra no google, digita "tsunami" ou "new orleans" ou "hiroshima". Dá lá uma olhada nos discursos dos governantes, repete uma ou duas frases, faz cara de quem se importa e sai saindo. A Itália é um país tão bonito, tutto buona gente, não me faz um papelão desses na frente das câmeras!


Ôôô Berlusconiii: vápaputaqueopariu, vai...

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Pedro, benvenuto alla famiglia!

vamos supor que eu tenha uma irmã mais velha.

e então imaginemos que esta suposta irmã teve possivelmente um primeiro filho aos 20, 21 anos.

depois do eventual nascimento desse menino que seria meu sobrinho, poderiam ter decorrido uns vinte e poucos anos, se fosse o caso.

hipoteticamente, esse tal menino, que agora já seria um rapaz, casado, adulto, independente, já poderia ter o seu primeiro filho.

enfim, em um mundo fictício, onde essas coisas eventualmente tivessem acontecido dois dias atrás, imaginem só, eu poderia, hipoteticamente, vir a ter me tornado tia-avó!

que absurdo se por ventura acontece uma coisa dessas, né gente?

MO-Á! com esse título!

tia-avó...
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terça-feira, 5 de maio de 2009

Got fire, honey?

Quando eu morava na Philadelphia, eu costumava comprar meu café multicondimentado num copo de 20 oz. do Wawa e me sentava na pracinha pra ver o movimento, ler alguma coisa, fumar meu cigarrinho e, inevitavelmente, fazer amigos. Sim. Fazer amigos na pracinha. Isso pra mim foi uma grande surpresa americana.

Toda a rigidez e frieza que fazem a fama dos americanos no ambiente de trabalho ou sei lá mais onde, realmente não existem no dia-a-dia da cidade. Se você está à toa num banco de madeira, todo tipo de gente pode parar pra conversar com você e ser seu melhor amigo durante aquele bate-papo. Mas outro dia eu falo mais dos inúmeros amigos que fiz na Rittenhouse Square. Hoje eu queria falar de uma mulher só.

Era uma senhora dos seus 60 e poucos anos, bem bonitona de corpo, que devia ter sido muito linda na juventude (o que hoje só se imaginava pelo azul doído dos olhos). Estava vestida de forma um pouco mais jovial do que sua idade realmente permitia, mas sua aparência geral dizia que tinha um bom nível social. Ela se aproximou com um cigarro apagado entre os dedos e me pediu fogo.

Pra quem não sabe, o cigarro, assim como os bebês e os cachorros, são um ótimo quebra gelo social, e podem render assunto por mais de hora e criar amigos leais para sempre (se bem que os dois últimos, embora um sucesso na pracinha, não funcionariam bem na balada).

Nosso assunto veio fácil, principalmente porque tinham acabado de aprovar a lei antifumo na costa oeste dos Esteites. E foi então que ela fez sua observação triste, de como os prazeres humanos mais elementares vão se submetendo às mudanças do mundo.

Quantos anos você tem, honey? ela perguntou. E depois da minha resposta emendou: então, você não sabe o que é sexo sem se preocupar com HIV e camisinha. True. Quando o mundo conheceu o paciente zero da AIDS eu tinha 8 anos.

And now baby, ela completou, a nova geração não vai saber o que é passar horas e horas bebendo alguma coisa e fumando com os amigos ao redor de uma mesa!

A conversa se desenvolveu com imensa cumplicidade entre nós, como duas pessoas sortudas que puderam passar os jovens anos fumando com os amigos no bar. Só quem já fez isso sabe do que se trata. E não tem nada - ou quase nada - melhor nesse mundo.

Você pensa na vida entre baforadas e muda de opinião e revê seus conceitos e se torna uma pessoa melhor a cada bituca fedorenta apagada. O tempo de se queimar um cigarro é o tempo de gestação de uma idéia brilhante. Aquele dia na pracinha nós duas tivemos certeza de que a Revolução Francesa e a Independência Americana jamais teriam acontecido se não fosse permitido àqueles homens fumar com os amigos no bar.

Eu sei que é pro bem de todos e etc e tal. Mas vou falar uma coisa pra vocês: a minha vida nunca mais será a mesma depois dessa lei antifumo. Tô achando péssimo. Muito ruim mesmo. Tô bem triste.

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domingo, 3 de maio de 2009

Novíssima Geração

ou Porque as cegonhas são tão bem pagas hoje em dia.


"Gato que nasce no forno não é bolinho".

Esse é um jeito muito legal que a minha mãe usa pra dizer uma variação do "filho de peixe, peixinho é". É um pouquinho diferente, porque esse do gato quer dizer que não importa onde você esteja, você sempre vai carregar a sua origem, a sua família, a sua história. Pode nascer no forno, mas continua sendo gato.

Acordei pensando nisso porque hoje é o chá de bebê da Giovana, que vai chegar daqui a algumas semanas na família dos meus amigos. E temos a caminho também a Cecília que, assim como o irmão João, vai nascer em Fortaleza mas sempre levará o interior de São Paulo no coração. E recentemente soube de outro garoto chegando mais pro final do ano, que eu ainda não sei o nome, mas a gente tá torcendo pra mãe dele ser a responsável pelos doces no dia do chá de bebê.

Daí também estava pensando que nos últimos 10 anos, nossos amigos e parentes desenfornaram umas boas duas dúzias de gatinhos. E se o ditado da minha mãe tá certo, esses pequenos vão ser adultos incríveis igual os pais deles.

Parabéns pra vocês, gente destemida! Valeu por garantirem as pessoas legais que vão estar aí no mundo no futuro.
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