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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

ginástica (ou how many laps to go)

quando eu era pequena estudava numa escola super engajada em esportes e educação física. na época, a gente chamava de aula de ginástica.

todo semestre, a nossa avaliação da ginástica incluia exame biométrico (terrorismo infantil, assunto pra outros posts e sessões de terapia), e outras medidas objetivas de desempenho: quanto tempo você conseguia ficar equilibrado em cada um dos pés, olhando para cima; subindo em um banco, em pé com as pernas esticadas, voce devia se alongar com as mão tocando os pés, e mediam quantos centímetros além dos pés você conseguia ir (para alguns essa medida era quantos centímetros faltavam até os pés); quantos abdominais você conseguia fazer em um minuto; e a mais pesada de todas, que era quanto tempo você levava para correr 1 kilometro.

essa medida era feita na quadra maior, de baixo de sol. você tinha que dar 11 voltas ao redor da quadra, externamente à marcação da quadra de handball, e passando por trás das traves do gol. as diversas salas da mesma série competiam pelo melhor resultado de grupo. então, tinha uma criatura de outra sala contando suas voltas, para garantir que você não ia "roubar", e a contagem de voltas era acompanhada também por uma criatura da sua própria sala pra garantir que o aluno da outra sala não ia te sacanear. a coisa era séria.

eu lembro da terrível sensação de calor e cansaço. cada volta completa não parecia uma vitória, porque eu ia ficando cada vez mais cansada. parecia um castigo que não acabava nunca. lembro de achar aquilo tudo desnecessário, desumano, injusto. lembro da vontade de desistir. de parar e sair chorando. mas acabava continuando pra não desapontar os colegas de sala e pra não ser tratada como café com leite. era isso que me fazia continuar. eu não gostava de correr, não me preocupava em fazer um tempo x ou y, não tinha satisfação pessoal pelo ato de competir, nem era motivada pelo sentimento de auto-superação. eu seguia mesmo pelo time. pelo amor das outras pessoas.

hoje é meu aniversário. isso quer dizer que eu completei mais uma volta ao redor do sol.

eu ainda não achei um grande objetivo de vida. não gosto de me testar e me superar, não acredito na cultura do sofrimento purificador. não entendo direito o que é que a gente vem fazer aqui. mas continuo tendo brios pra não ser chamada de café com leite. e continuo vendo que o único sentido de completar essa bagaça é mesmo obter o amor dos outros.

obrigada a todos que estiveram do meu lado e me deram amor nesta minha longa sequencia de voltas ao redor do sol.


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Garibaldo

não é fácil manter tudo em ordem. a casa, a saúde, os compromissos, tudo mais. estou em franco movimento de tentar manter o que sobrou. da casa, da saúde, da vida toda. estou jogando fora o que ninguém quer mais. tentando achar um novo dono pro que pode ser reaproveitado. estou limpando, lavando, consertando, reformando o que está em uso.

nesta última categoria estavam as almofadas de casa. precisavam de um bom banho. algumas precisavam de um ziper novo. outras de um remendinho. uma das minhas preferidas, a de nózinhos de retalhos amarelos, estava precisando de tudo isso. fiquei na dúvida se valia a pena ou não me dar ao trabalho.

daí pensei nos bons tempos em que ela era conhecida como Garibaldo. companheirão. parceiro. amigo Garibaldo. participava de ensaios musicais, esbórnias de vinho, festas de família, visitas de nenês e avós. estava nas fotos ao nosso lado, ao lado dos alegres convivas, ao lado dos irmãos de passagem, vindos de terras distantes. acordava enlaçado por amigos desnorteados que capotaram no sofá e mal se lembravam onde estavam.

tomei o cuidado de costurar o que precisava antes de mais nada. depois liguei o ciclo suave da máquina de lavar. mas não teve jeito, não. despedaçou-se em centenas de retalhos amarelos. não resistiu. recolhi suas penas-retalhos tom sur tom e coloquei-as no lixo, junto com o desmantelado resto da peça.

no prosaico ato de amarrar o saco de lixo me vi num momento que se encheu de sentido. estou no meio de escombros. roupas, objetos e lembranças. ao despedir do Garibaldo tive medo de nunca mais conseguir olhar as fotos e, pra não sofrer mais, acabar apagando da memória todo o tempo que se foi.

domingo, 5 de setembro de 2010

a day in life

a gente não saberia dar valor pra alegria se não existisse o sofrimento. isso parece fácil de compreender. o mais doido pra mim é entender que a gente tem que achar um jeito de fazer os dois conviverem. a gente tem que achar espaço pra criar e sentir alegria, apesar do sofrimento (e este último é mais certo e garantido na vida da gente).

ontem foi um dia de sofrimento ruim. sofrimento pra caralho. sem fim. sofrimento sem esperança de passar. mas não sei nem como explicar, foi também um dia de alegria, porque eu tinha meus amigos comigo. eles deram um jeito de me obrigar a me sentir feliz, mesmo na presença da dor e da falta, mesmo sabendo que isso tudo ainda está longe de acabar.

ainda bem que eu tenho um monte de gente pra amar. meus amigos me fizeram sentir gratidão pela vida. mesmo e apesar de tudo.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

resolução retardada

eu não estou esperando nada de 2010. daí acabei não fazendo promessa nenhuma, não tomei qualquer resolução de ano novo.

mas na semana passada encontrei um amigo que há tempos não via. fomos num restaurante bacana e tomamos um vinho. bebida esta, que ele insiste em chamar de birinight. assim como qualquer bebida alcoólica, não importa quão refinado o líquido ou quão formal a ocasião. sim, essa foi uma resolução dele, acho que em 2008: trazer de volta ao uso corrente a palavra birinight.

essa resolução, é claro, não serve pra nada, a não ser fazer alguém dar uma risada. nem que seja daquelas meio sem entusiasmo: ai, ai, você tem cada uma mesmo.

espero que ainda esteja em tempo de fazer as juras pra 2010. porque eu também resolvi ressuscitar algumas expressões. não que isso vá servir pra nada, a não ser talvez, ajudar algum interlocutor a não levar a vida tão a sério.

e pra começar vai ser "tanga-frouxa".

hei de incluir a expressão em horas e contextos tão apropriados que ninguém vai conseguir encontrar palavra melhor. hei de fazê-la um adjetivo mais bem resolvido que o "marrento".

me aguardem!
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domingo, 20 de setembro de 2009

the marshmallow test *

esse é um famoso experimento da psicologia.

a idéia é simples: você deixa uma criança sentada frente a frente com um doce. você diz pra ela que vais sair um instante e já volta. e que se ela quiser comer o doce agora ela pode, mas que ela ganhará mais um caso não coma e espere você voltar.

pode parecer brincadeira, mas esse paradigma de pesquisa é sensacional pra gente entender mecanismos cerebrais complexos envolvidos na nossa capacidade de tomada de decisão.

felizmente a proposta deste post não é entediá-los até a morte com minhas observações científicas. fiquem tranquilos, meus fiéis e queridos leitores.

vamos só nos divertir com os dilemas alheios:
(já que os nossos próprios dilemas não tem absolutamente nada de divertido)





*agradecimentos especiais para a naninha, que foi quem me mandou esse video. ela é a responsável por deixar a turminha atualizada com relação ao mundo maravilhoso dos doces. she is sugar and spice and all things nice. thank you darling!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

o apreço não tem preço

qual o limite do que se pode pedir pra um amigo?

- me empresta uma grana?
- você pode ser meu fiador?
- posso viajar com o seu carro?
- preciso de doadores de medula compatíveis. faz o teste?
- posso guardar caixas de livros, instrumentos e um ventilador na sua casa enquanto eu não tenho onde morar?
- me dá um abraço e empresta seu ombro pra eu chorar?
- cuida dos meus filhos enquanto eu vou numa festa?
- descola a chave da sua casa pra eu poder ficar mais "à vontade" com o meu affair?
- me empresta aquela sua bolsinha pra eu usar num casamento?
- segura minha testa enquanto eu vomito?
- me apresenta sua prima?
- me dá seu sêmen pra eu engravidar uma barriga de aluguel e ter um filho seu????

não, meu povo. eu não inventei isso sozinha...

leia aqui:
Macaulay Culkin pode ser o pai biológico de Prince Michael II
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sábado, 13 de junho de 2009

Feliz Aniversário!!!

Dear Erica,
I've thought a lot about you...
... and this time I got the right month.
May you be always as lovely and awesome.
Com amor,
S.
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quinta-feira, 28 de maio de 2009

eu sei o que vocês fizeram no verão passado!

os caras estavam chapados, mataram alguém sem querer, ficaram com medinho de tomar bronca dos pais, daí se livraram do corpo e deram um jeito de fingir que nada aconteceu. vamos tocar a vida... mas um tempinho depois eis que surge um mardito que sabe de tudo e traz a lama toda de volta. tira a sujeira de baixo do tapete. pior não há.

agora você tá pensando: bom, eu nunca matei ninguém, não tenho nada pra esconder... ledo engano! todo mundo tem coisas tenebrosas escondidas no passado: pode não ser um cadáver, mas certamente rolou um aparelho ortodôntico de capacete, uma saia balonê na festa de debutante, uma vomitada no carro da mãe do amigo, uma incapacidade de aprender os exercícios de química, um bilhetinho de amor interceptado e lido em voz alta pela professora...

hoje recebi um email de um amigo querido da época de escola. achou alguém no orkut que achou outro alguém na pós-graduação, que achou outro alguém na escolinha do filho, que mantinha contato com outro alguém que tinha meu email. ele tá convidando o pessoal da escola pro aniversário dele. no final do email tem aquele labelzinho com o nome da pessoa, o logo da empresa, o telefone e o cargo: DIRETOR FINANCEIRO.

hahahahahahahaha! lembrei das várias tardes que a fetchi e eu passamos tentando fazer ele aprender a resolver equações de segundo grau! ele não era dos piores, mas matemática rendia muitas tardes de estudo coletivo lá em casa... e agora vem me falar que cuida do dinheiro dos outros?

bom, por via das dúvidas não vou revelar o nome dele. não que eu queira muito respeitar a privacidade do cara, mas vai que ele lembra de alguma coisa também, né?
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terça-feira, 5 de maio de 2009

Got fire, honey?

Quando eu morava na Philadelphia, eu costumava comprar meu café multicondimentado num copo de 20 oz. do Wawa e me sentava na pracinha pra ver o movimento, ler alguma coisa, fumar meu cigarrinho e, inevitavelmente, fazer amigos. Sim. Fazer amigos na pracinha. Isso pra mim foi uma grande surpresa americana.

Toda a rigidez e frieza que fazem a fama dos americanos no ambiente de trabalho ou sei lá mais onde, realmente não existem no dia-a-dia da cidade. Se você está à toa num banco de madeira, todo tipo de gente pode parar pra conversar com você e ser seu melhor amigo durante aquele bate-papo. Mas outro dia eu falo mais dos inúmeros amigos que fiz na Rittenhouse Square. Hoje eu queria falar de uma mulher só.

Era uma senhora dos seus 60 e poucos anos, bem bonitona de corpo, que devia ter sido muito linda na juventude (o que hoje só se imaginava pelo azul doído dos olhos). Estava vestida de forma um pouco mais jovial do que sua idade realmente permitia, mas sua aparência geral dizia que tinha um bom nível social. Ela se aproximou com um cigarro apagado entre os dedos e me pediu fogo.

Pra quem não sabe, o cigarro, assim como os bebês e os cachorros, são um ótimo quebra gelo social, e podem render assunto por mais de hora e criar amigos leais para sempre (se bem que os dois últimos, embora um sucesso na pracinha, não funcionariam bem na balada).

Nosso assunto veio fácil, principalmente porque tinham acabado de aprovar a lei antifumo na costa oeste dos Esteites. E foi então que ela fez sua observação triste, de como os prazeres humanos mais elementares vão se submetendo às mudanças do mundo.

Quantos anos você tem, honey? ela perguntou. E depois da minha resposta emendou: então, você não sabe o que é sexo sem se preocupar com HIV e camisinha. True. Quando o mundo conheceu o paciente zero da AIDS eu tinha 8 anos.

And now baby, ela completou, a nova geração não vai saber o que é passar horas e horas bebendo alguma coisa e fumando com os amigos ao redor de uma mesa!

A conversa se desenvolveu com imensa cumplicidade entre nós, como duas pessoas sortudas que puderam passar os jovens anos fumando com os amigos no bar. Só quem já fez isso sabe do que se trata. E não tem nada - ou quase nada - melhor nesse mundo.

Você pensa na vida entre baforadas e muda de opinião e revê seus conceitos e se torna uma pessoa melhor a cada bituca fedorenta apagada. O tempo de se queimar um cigarro é o tempo de gestação de uma idéia brilhante. Aquele dia na pracinha nós duas tivemos certeza de que a Revolução Francesa e a Independência Americana jamais teriam acontecido se não fosse permitido àqueles homens fumar com os amigos no bar.

Eu sei que é pro bem de todos e etc e tal. Mas vou falar uma coisa pra vocês: a minha vida nunca mais será a mesma depois dessa lei antifumo. Tô achando péssimo. Muito ruim mesmo. Tô bem triste.

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domingo, 19 de abril de 2009

deslocada

- como foi a festa ontem?
- hum... sei lá...
- era uma roubada?
- não, não. lugar muito bacana...
- a música era boa?
- super boa.
- bebida?
- impecável!
- não tinha gente legal?
- tinha...
- então qual o problema?
- é que quando aquele pessoal nasceu a África ainda tava indo embora...


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créditos: esta piada teve contribuição do amigo fabinho. by the way, casal cristianini, thanks pela adorável companhia em noite de luz de velas e vinhaça!
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domingo, 22 de março de 2009

fds: s2 ;-)

6a: coffeeeeeee - piu - piu -piu -piu - hahahahaha - piu -piu -piu - s2 - piu - piu - apê - piu - piu - hahahahahaha - hahahaha - hahahaha - affffff! - hahahahhahaha - piu - piu - piu - smack! - smack! - MAIS! - piu - piu - piu - hahahahahaha - HAHAHAHAHAHAHAHAHA! - piu -piu...

sab: zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz - hmmmm - zzzzzzzzzzzzzzz - hmmmmmm - hahahahahahahaha - piu - piu - piu - piu - piu - hahaha - piu -piu -piu -piu -piu -piu - hahahaha - piu -piu -piu - huuuum - yummy - yummy - hahahaha - piu - piu -piu -piu -piu -piu -piu -piu - o quêêê??? - piu - piu -piu -piu -piu -piu -hahahahaha - afffff - piu -piu -piu -piu - hahahahahaha - piu -piu -piu -piu -piu -piu -piu -piu -piu - ebaaaa!!! - piu -piu -piu -piu -piu - piu - eeeeew!! - hahahahaha - piu - piu - piu -piu - piu -piu - piu - hahahaha - smack - smack - hahaha...

dom: ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ - miu - zzzzzzzzzzzzzzzzzzzz - tu tu tu - zzzzzzzzzzzz - yummy - yummy - hahahhahahaha- piu -piu -piliiiiiiiii! - smack! smack! smack! - zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz...

domingo, 15 de março de 2009

Festa no Apê

Eu adooooro festa. As melhores festas do mundo são as de cozinha experimental: um amigo inventa uma receita e os demais dão palpite, bebem alguma coisa e falam bobagem. Poucas coisas me fazem tão feliz quanto encher minha casa de amigos queridos!!!

Eu fico tão feliz, tão feliz, mas tão feliz, que acabo tomando todas, indo dormir e perdendo o fim da festa...

Ai que burrrra! Dá zero pra ela...



PS: perder o fim da festa significa não comer a sobremesa que a Naninha fez, não ver os amigos retardatários que chegam saídos de outras baladas, não tomar o cafezinho expresso do Paulão e não ver o sol nascer da janela do apê. Oh! shame...

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quarta-feira, 4 de março de 2009

o corredor X a salinha

sabe o que que era época boa? mas boa meeeesmo?

era a fase que eu e meus amigos estávamos no começo da carreira. ninguém ainda tinha dado certo na vida, mas existia uma certa esperança e uma certa chance de que a gente ia virar alguma coisa. estávamos semi-encaminhados, mas lá no final da cadeia alimentar, por assim dizer.
todo mundo meio em cargos de peão, ocupando o espaço do corredor, mas cheios de gás, cheios de idéias. e de brilho. a gente tinha que por a mão na massa, trabalhar pra valer, às vezes tinha algum pepino que só a gente sabia resolver. principalmente se era alguma coisa no computador. logo eu! a estagiária recém-formada era obrigada a passar a noite refazendo o trabalho deles porque nenhum dos fodidões sabia nada! na-da! só tinha mané naquele lugar...

foram várias altas horas fazendo trabalho braçal. mas sem muita responsabilidade. sem ter que decidir nada. só cumprindo as ordens que vinham do cara lá da salinha. ah! que longos cafés a gente tomava naquele corredor reclamando que alguém tinha dado tanta coisa pra gente fazer! o que que eles estavam pensando? por que não decidiu antes que era pra fazer do jeito B e pediu o jeito A? sabe come é chefe, né? chegou lá por pura politicagem, mas é uma anta.

só que naquela época, quando a gente ia pra casa, não levava nenhuma preocupação. a gente era feliz e quase não sabia que era depois do trabalho no corredor que a vida mostrava seu lado mais doce: sentar no bar com todo mundo e reclamar de o quanto o mundo era injusto por a gente não ter a grana e o tipo de trabalho que merecia! na boa, fora a gente, só tinha imbecil no mundo! a gente era a promessa. a solução. a genialidade bruta e incompreendida.

a gente passava noites e noites juntos no bar, inconformados com a incompetência e a mediocridade dos nossos chefes. se quem manda não fosse tão medíocre, nosso talento já teria sido revelado! é que aqueles adultos, sentados nas suas salinhas, insistiam em fazer tudo errado. não sabiam nem usar o excel e vinham mandar a gente, que estava naquela mesinha improvisada no corredor, refazer todo o trabalho que eles mesmos tinham pedido. e nem falavam inglês direito! como é que um despreparado desses virava chefe? a gente não entendia.


até que um dia a gente ganhou uma salinha qualquer, um crachá escrito aspone, um pouco mais de grana e muito, mas muito mais responsabilidade. e o compromisso de fazer acontecer no mundo real, nem que tivesse que ser medíocre. a gente aprendeu que o que funciona é o arroz com feijão, desde que seja no prazo e dentro dos critérios estabelecidos.

e em troca a gente abriu mão da nossa cabeça fresca no final de semana, do nosso tempo livre pra tomar longos cafés ou infinitas cervejinhas no bar. e quer saber o pior de tudo? a gente teve que abrir mão de talvez ser genial. e teve que parar de ficar só reclamando pelos corredores. o mundo não é justo mesmo.
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ontem foi terça?

ok, ok. eu entendo. vocês têm mais o que fazer.
claro, claro... na boa.

quem é que precisa de amigos inteligentes e cínicos pra fazer piada com tudo e debochar da patética condição humana numa mesa de bar, anyway?

contato humano é tão overrated na era da TV a cabo!

deixa tá. na hora que eu quiser eu arrumo companhia inteligente cínica e debochada...

humpf...

terça-feira, 3 de março de 2009

acho que eu tenho quase certeza absoluta

ou eu não poderia ser uma covre com certeza talvez

Tenho uma amiga que tem um gosto particular por saber a verdade por trás de tudo. Tinha que ser cientista, né? A gente estava no País Basco, num pueblito maravilhoso, todo lindinho, florido, europeuzinho, com gente simpática, bicicletas, igrejinhas. Um dia eu acordo e ela já está vestida, pronta pra sair:
-Vou 'desmascarar' essa cidade!
- Hein?
- É. Vou andar nas ruas laterais, vou chegar na periferia! Isso aqui tá tudo muito certinho. Só pode ser de mentira!

Na época eu achei muito engraçado e não dei muita trela. Uns tempos depois entendi que essa inquietação dela também me aflige. E que o negócio é muito mais sério do que parece. E se manifesta de várias formas. O que essas expressões de aflição têm em comum é o maldito assunto recorrente da minha cabeça nos últimos tempos: eu questiono tudo, duvido de tudo e não tenho nunca certeza de nada.

É sempre essa mesma mania. Se está muito arrumado quero saber se funciona na bagunça. Se está muito quieto quero saber se vai suportar quando houver barulho. Se está muito bom quero saber o que vai acontecer quando ficar ruim.

Que ódio dessa insuportável consciência de que tudo muda e de que nada é só bom ou só mau. Seria tão mais fácil classificar as coisas em certo e errado e apagar os tons de cinza!

Sem falar na insanidade que é ter que conviver com a relatividade histórica das coisas! Já reparou que nunca dá pra saber se algo aconteceu para melhor ou para pior? Sabe a perna quebrada que te impede de jogar no campeonato da escola e mais pra frente te deixa pra fora do time da cidade e depois ainda te deixa fora das olimpíadas, mas que no fim foi o que te tirou daquele avião de atletas que caiu e matou todo mundo?

O que eu queria mesmo era ter certeza que o que parece a melhor escolha hoje não vai virar a pior estupidez da minha vida amanhã.

Dá muito trabalho viver nessa vida de ponderações, entretantos e poréns. Affff...


it ain't over 'till it's over. you'll never know...
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Catalunha

Olha só o que tem aqui no Ceará: Tapioqueira! O que é isso, hein? Ah! Um monte de quiosquinho de tapioca! Que amor! Acho que eles vendem a gominha, né? Adoro! Vou comprar muitas pra fazer em casa! Mas será que vão me deixar entrar no Brasil com tapioca na mala?
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O Pato, o gato e o tempo

Eu não sou muito fã de Pato Fu. Recentemente até tentei ouví-los com mais simpatia, porque um amigo recomendou. E ele é um cara que manda bem em recomendações musicais. Tentei de coração aberto. Ainda assim... hummm... não rolou. Porém, sou honesta em admitir que em "Sobre o Tempo" eles acertaram a mão. Adoro letra, música e voz. Adoro tudo.

Tempo, tempo mano velho,
falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio.

.........................................................Pra ver a letra completa clique aqui.



Ainda não decidi se acho que a Patakai parece otimista ou 'eufemista' quando diz que "falta um tanto"...

Lets face it: o tempo NUNCA vai correr macio.

Ele vem com tudo e chega chegando de voadora no peito e te agarra e te joga no chão com queda de cambalhota e quando você vê está rolando em turbilhão pela vida que nem palha d'oeste carregando todas as suas coisinhas e também mais um monte de outras tantas coisas que vão grudando em você sem chance de escolher direito pra que lado você queria ir.

Pra fazer tudo que eu quero e viver todas as histórias que eu quero não ia adiantar aumentar só um pouco as 24 horas de cada dia. Ia ter que aumentar mesmo o tanto de vida que eu ia viver.

Agora que eu gosto da vida de novo eu queria ter tempo pra viver várias vidas que nem gato mas só que tinha que ser gato dos americanos que é o gato do tipo que tem nove vidas e não só sete que nem os gatos que a gente ouve falar por aqui.
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Ritos de Passagem

Você sabe o que são Ritos de Passagem?

Eram meu assunto favorito das aulas de antropologia. Trata-se daquelas cerimônias que marcam que uma pessoa está passando por uma transformação e, a partir daquele momento, ela terá um status diferente dentro do seu grupo.

Praticamente todas as sociedades humanas conhecidas desenvolveram algum tipo de rito de passagem, sejam eles de caráter mais religioso, de poder político ou de iniciação. Em tudo quanto é canto do mundo, por exemplo, existem ritos para as meninas quando ficam mocinhas e para os meninos quando passam a participar da caça ou de batalhas junto com os homens adultos.

Aqui no nosso mundinho temos os ritos de passagem formais, institucionalizados, tais como os batizados, bar mitzvas, bailes de debutantes, casamentos, formaturas, velórios. E aqueles menos formais, mas não menos importantes, tipo um trote de calouros da faculdade, o primeiro barbeador dos meninos, o primeiro soutien das meninas, o almoço de despedida do diretor que vai se aposentar. Todos eles mostram ao mundo que aquela pessoa, dalí em diante, será diferente.

Outro dia eu estava pensando nisso e achei que tem ainda um outro tipo de rito de passagem. Que na verdade pra mim é o mais fudido de todos, que mais me emociona. É aquele meio secreto, meio piada interna. Que a gente faz pra gente mesmo quando toma uma decisão que a gente sente que vai mudar nossa vida. É aquele momento que a menina se olha no espelho e decide que vai sim dar seu primeiro beijo e daí sai de casa sem o aparelho nos dentes. É o rito de passagem que serve pra eu mostrar pra mim mesmo que eu quero que alguma coisa seja diferente pra mim, dalí em diante.

Conheço um cara que estava na vida. Aberto às possibilidades do mundo. Disponível pra o que viesse. Até que conheceu uma garota. E depois de muito poucos dias começou a sentir uma inquietude. Sabia que tinha que tomar uma decisão pra ele mesmo. E o momento rito de passagem rolou quando ele olhou no espelho e decidiu cortar os cachos.

Começou com a tesoura. Depois foi a agenda telefônica.



post scriptum post:
Aos amigos e amigas que decidiram cortar os cachos, literal e metaforicamente, pra se jogar num amor inteiro em dois mil e love.
Escrevi esse post pensando em vocês. E escrevi isso morta de feliz por lembrar como eu tenho sorte. E também porque a atitude de vocês me deixa em paz, me mostra que as coisas são mais simples do que parecem e me dão a confirmação de que no fundo todo mundo procura as mesmas coisas.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Piu piiiiiu

Meu amigo falou que ele descobriu que gosta de mulher que mia. Sabiamente identificou esse gosto. E confessa. A verdade é que todo homem gosta, mas nem todos sabem com tanta clareza. Se algum dia ele conseguir escrever mais sobre esse insight genial eu prometo que coloco um link e aviso vocês por aqui.

Eu estava pensando nisso e também cheguei a uma conclusão:
eu gosto de mulher que pia.


Adoro!
Não vivo sem minhas amigas.
Minhas queridas piu-pius.
Queria vocês por perto...




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sábado, 31 de janeiro de 2009

Mais velho, não! Melhor.

Festa dos amigos jet setters: musica boa, chitchating, gente linda, cheirosa, produzida.

Já são 8 anos de convivência, e eles continuam me convidando. São incríveis, fazem eu me sentir bem e me tratam como se eu fosse um deles. Nossas diferenças funcionam, as afinidades são o querer bem. A gente se diverte junto.

A vida mudou muito e o tempo passou pra todos nós. Mas o bom é que a gente concorda que sempre tem que manter alguém de 20 e poucos anos na mesa. O whisky.







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