A amnésia que eu vejo em meus pacientes após um acidente cerebral, na maior parte das vezes, pouco se parece com a síndrome retratada em Hollywood. O cinema em geral mostra casos de pessoas que esqueceram tudo o que já viveram: 'Onde estou?', 'Quem sou?'. Essa é a amnésia retrógrada - apaga tudo dalí pra trás.
Isso aí até existe, mas a amnésia mais comum é aquela igual a da peixinha Dori, do filme 'Procurando Nemo': ela é inteligente, sabe quem é, lembra coisas do passado, mas não consegue guardar coisas da história atual; é um problema de memória recente. Essa se chama amnésia anterógrada.
E é isso que acontece com os meus pacientes: desde que tiveram um acidente eles tem um defeito no registro de novas informações. Então, eles se lembram em geral muito bem de tudo que ocorreu antes do acidente (salvo um apagão de logo antes e logo depois da doença em si), mas não conseguem formar novas memórias de forma eficiente. Assim, a vida desde o acidente vira um amontoado de fatos e informações meio isoladas, desorganizadas cronologicamente. E muita coisa nem sequer amontoa. Apaga mesmo e é como se nunca tivesse acontecido.
Os casos de amnésia anterógrada total existem, mas são raros: é como se a pessoa tivesse parado em um certo dia ou ano de sua vida, e não aprende mais informações desde então. Fica parada em uma época, sem registro de que coisas acontecem e de que o tempo passa. O caso mais famoso dessa patologia foi o paciente HM, de quem eu falei aqui nesse post de 2008, quando ele morreu.
A amnésia anterógrada mais comum, entretanto, não é total. A mais típica é, de novo, muito bem retratada na peixinha Dori que consegue aprender algumas coisas mas não outras. O que ela usa e repete toda hora se fixa de uma forma um pouco melhor, mas o que não usa ou não chama muito a atenção se apaga.
E daí se mostra um fenômeno muito legal, pois apesar de ser frequente também entre as pessoas normais, ele é muito mais acentuado, quase caricato, entre as pessoas amnésicas: é o poder de fixação da memória emocional.
Todo mundo lembra melhor do que interessa, certo? Mas pra essas pessoas não é uma questão de lembrar melhor. Funciona mais como: eu só me lembro do que tem muito valor emocional, ou porque me interessa muito, ou porque me assustou, ou porque eu detestei. Dessa forma, a vida dos amnésicos acaba se orientando por aquilo que é rotineiro e se repete exatamente igual todo dia e fora isso há uma coleção de eventos marcantes. O resto vai e vem no amontoado de eventos desordenados no tempo.
Tudo isso pra contar que acabei de conhecer um homem de 60 anos que sofreu um acidente de carro aos 20. O impacto cerebral foi gravíssimo e ele ficou bem amnésico, assim desse jeitinho mais comum da gente ver: amnésia anterógrada importante mas não total. E isso faz parte da vida dele há 40 anos!
Nesse tempo (dos 20 aos 60 anos) ele teve muita ajuda da familia e amigos e realmente conseguiu uma vida plena: terminou a faculdade, trabalhou, namorou, casou, teve 2 filhos, fez amigos, viajou, enterrou pessoas queridas, viu governos entrarem e saírem, viu filmagens e re-filmagens no cinema e nas novelas da Globo, viu o homem pisar na lua, viu o muro de Berlim cair, viu guerras no mundo, tecnologia, internet, revoluções sociais, mudanças de comportamento, o vai e vem das calças boca de sino e dos carros da Volkswagen.
Na consulta de hoje, como eu costumo fazer com meus pacientes, eu risquei uma linha em uma folha, coloquei o ano de seu nascimento em um extremo e o ano atual no outro, e pedi para que ele apontasse os fatos e eventos que mais o marcaram na vida. Não foi muita surpresa o que aconteceu: até a data do acidente ele marcou mortes, entradas e saídas nas escolas, viagens e o próprio desastre de carro. De lá pra frente, ele marcou sua vida em namoradas, paixões não-correspondidas, uniões e separações. Depois de eu insistir um pouco ele conseguiu fazer umas contas e marcou também o ano de nascimento dos filhos.
Nenhuma só palavra sobre trabalho, perrengues diários, desavenças, pequenos triunfos, grandes feitos, doenças, mortes, nada! Só amores e desamores. Foi isso que sua memória parca selecionou como importante pra ser guardado apesar da deficiência.
Fiquei aqui pensando: da vida a gente não leva nada. E mesmo em vida a gente devia carregar só o que realmente importa...
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quarta-feira, 17 de março de 2010
domingo, 12 de julho de 2009
Limpando a barra...
Pra quem não viu na midia, tá aqui o vídeo que limpa a barra do presidente Obama. Na verdade ele - gentelman que é - estava ajudando uma outra moça a descer o degrau...
que gracinha, né Méliss?
Já Monsieur Sarkozy... ah, esse tava olhando mesmo! De virar o pescoço e procurar a moça no meio do povo.
Serais ce possible alors?
Bom, e mais uma vez na imprensa internacional:
mulher brasileira = bunda.
e a besta aqui engorda 3kg uma semana antes de viajar pro exterior.
adivinha em que parte as minhas roupas estão apertadas?
humpf! odeio piada pronta...
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que gracinha, né Méliss?
Já Monsieur Sarkozy... ah, esse tava olhando mesmo! De virar o pescoço e procurar a moça no meio do povo.
Serais ce possible alors?
Bom, e mais uma vez na imprensa internacional:
mulher brasileira = bunda.
e a besta aqui engorda 3kg uma semana antes de viajar pro exterior.
adivinha em que parte as minhas roupas estão apertadas?
humpf! odeio piada pronta...
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quarta-feira, 1 de julho de 2009
it's comin' to get ya!
- alô! tá livre? pode falar um minuto?
- posso sim, tô tranquila. hoje dois pacientes da manhã desmarcaram porque não estavam se sentindo muito bem. estão gripados acho...
- puxa, que coisa... mas e aí? você pode almoçar comigo hoje?
- hummmm. não sei. depende da hora que o cara do gesso vai passar pra fazer o orçamento. ele ficou de confirmar se vem às 11 e meia ou às 3.
- e quando ele vai te avisar?
- ele não sabia quanto tempo ia demorar. precisou levar a namorada no médico. ela estava há dias com um febrão.
- é mesmo?... mas então, vamos ver se a gente consegue jantar?
- pode ser. mas tem que ser depois das 10.
- meio tarde não é?
- é que eu tenho que atender um paciente até 9 e meia. ele é médico do PS, disse que tá muito movimentado lá. pediu pra mudar o horário dele pra noite. muitos virus à solta.
- eu hein... bom, melhor deixar pra amanhã, então...
- por mim tá fechado! você chama a Ju pra ir com a gente?
- vou tentar. nem consegui falar com ela hoje.
- ué? ela não tá aí com você?
- não te falei? ela nem veio trabalhar. parece que estava com uma gripe forte, febre alta...
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- posso sim, tô tranquila. hoje dois pacientes da manhã desmarcaram porque não estavam se sentindo muito bem. estão gripados acho...
- puxa, que coisa... mas e aí? você pode almoçar comigo hoje?
- hummmm. não sei. depende da hora que o cara do gesso vai passar pra fazer o orçamento. ele ficou de confirmar se vem às 11 e meia ou às 3.
- e quando ele vai te avisar?
- ele não sabia quanto tempo ia demorar. precisou levar a namorada no médico. ela estava há dias com um febrão.
- é mesmo?... mas então, vamos ver se a gente consegue jantar?
- pode ser. mas tem que ser depois das 10.
- meio tarde não é?
- é que eu tenho que atender um paciente até 9 e meia. ele é médico do PS, disse que tá muito movimentado lá. pediu pra mudar o horário dele pra noite. muitos virus à solta.
- eu hein... bom, melhor deixar pra amanhã, então...
- por mim tá fechado! você chama a Ju pra ir com a gente?
- vou tentar. nem consegui falar com ela hoje.
- ué? ela não tá aí com você?
- não te falei? ela nem veio trabalhar. parece que estava com uma gripe forte, febre alta...
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terça-feira, 12 de maio de 2009
Atchiiim! Óinc!
Minha amiga acabou de chegar na Europa e escreveu contando que a imigração tem uma fila "exclusiva" que reúne americanos e mexicanos.
Agora eu lí uma reportagem dizendo que a gripe suína chegou a Cuba, Tailândia e Finlândia.
Eita virus democrático!
...
(Droga, bem agora que a gente estava usando o argumento da gripe pra convencer o chefe a cancelar o congresso do México e trocar pelo evento da Finlândia, mesmo sendo mais caro...)
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Agora eu lí uma reportagem dizendo que a gripe suína chegou a Cuba, Tailândia e Finlândia.
Eita virus democrático!
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(Droga, bem agora que a gente estava usando o argumento da gripe pra convencer o chefe a cancelar o congresso do México e trocar pelo evento da Finlândia, mesmo sendo mais caro...)
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quarta-feira, 15 de abril de 2009
Sympatique - Pink Martini
Falando em sympatique, putaqueopariu como eu tô chata!
Não tô querendo saber de nada que exija esforço ou paciência. Aliás, não tô podendo com exigência nenhuma. Ainda por cima meu organismo resolveu se revoltar contra mim e agora eu tenho que gastar meu precioso tempo na manutenção desse corpo humano. Essa coisa frágil, superestimada, pouco-representativa do valor que eu creio ter e fadada à decrepitude.
affff. tô que nem eu me guento!
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Não tô querendo saber de nada que exija esforço ou paciência. Aliás, não tô podendo com exigência nenhuma. Ainda por cima meu organismo resolveu se revoltar contra mim e agora eu tenho que gastar meu precioso tempo na manutenção desse corpo humano. Essa coisa frágil, superestimada, pouco-representativa do valor que eu creio ter e fadada à decrepitude.
affff. tô que nem eu me guento!
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sexta-feira, 6 de março de 2009
mode: stand by
status: unfocused, unproductive and daydreaming
Será o efeito day after da noite mais quente do ano?
...
Olha, minha gente: estou com a impressão que passei a noite toda ouvindo o 'coisa-ruim' bafando enxofre quente e cantando a plenos pulmões em ritmo do funk do quadrado:
órme, ó- órme
se eu não durmo ninguém dorme!
(letra "emprestada" da méliss)
Será o efeito day after da noite mais quente do ano?
...
Olha, minha gente: estou com a impressão que passei a noite toda ouvindo o 'coisa-ruim' bafando enxofre quente e cantando a plenos pulmões em ritmo do funk do quadrado:
órme, ó- órme
se eu não durmo ninguém dorme!
(letra "emprestada" da méliss)
quinta-feira, 5 de março de 2009
dos males o pior...
Fui no médico por causa de dor de cabeça e dor nos olhos. Chorei minhas pitangas, ele pediu uma xerox autenticada de crânio. Vesti a roupinha de chumbo e fiz a sessão de fotos ali mesmo.
(by the way, é incrível como neste ângulo nós todos parecemos uma bandeira de navio pirata ou uma estampa do Herchcovitch!)
Veredicto: sinusite.
Recomendações: não se exponha a poluição, não fique no ar condicionado, não respire pó ou outros agentes alergênicos, não nade em piscinas com cloro e não fume.
- Sim senhor, Doutorrino!
Eu tava mesmo achando que não era uma boa voltar pra natação. Já que não dá pra ter controle de tudo vamos eleger o pior mal e combatê-lo a qualquer preço!
(by the way, é incrível como neste ângulo nós todos parecemos uma bandeira de navio pirata ou uma estampa do Herchcovitch!)
Veredicto: sinusite.
Recomendações: não se exponha a poluição, não fique no ar condicionado, não respire pó ou outros agentes alergênicos, não nade em piscinas com cloro e não fume.
- Sim senhor, Doutorrino!
Eu tava mesmo achando que não era uma boa voltar pra natação. Já que não dá pra ter controle de tudo vamos eleger o pior mal e combatê-lo a qualquer preço!
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terça-feira, 3 de março de 2009
combustão espontânea
na boa: quantos graus tem que fazer nessa terra pra alguém ter misericórdia de nós e decretar estado de calamidade pública?
pelamordedeus, minha gente! escutaqui ô governantes, responsáveis, fazedores de leis!
que tal um feriado compulsório até que a temperatura ambiente volte a ser compatível com a vida?
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pelamordedeus, minha gente! escutaqui ô governantes, responsáveis, fazedores de leis!
que tal um feriado compulsório até que a temperatura ambiente volte a ser compatível com a vida?
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Podemos remarcar pra semana que vem?
Passei um carnaval super tranquilo, sossegadinho.
Nada de balada. Zero pé na jaca. Nenhuma farra.
Mas voltei com uma baita gripe-virose-dengue, sei lá eu.
E pra convencer todo mundo que não é ressaca?
Nada de balada. Zero pé na jaca. Nenhuma farra.
Mas voltei com uma baita gripe-virose-dengue, sei lá eu.
E pra convencer todo mundo que não é ressaca?
PS: (EM TEMPO) Acordei boazinha na 6a feira... será que era ressaca mesmo?
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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
32 graus na sombra
Calor dos infernos.
Impossível ter elegância no verão. A não ser que você tenha um emprego fashion-tolerante e seja magra-esquálida e super-gata pra arcar com a responsa de deixar muita pele à mostra.
Hoje não tá fácil!
Queria sol de primeiro mundo, que só ilumina e não esquenta.
E queria também uma burca.
Tô de mal do tempo, da vida séria e do espelho!
E tem mais: ponho hífen onde eu quiser. O blog é meu e pronto.
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Impossível ter elegância no verão. A não ser que você tenha um emprego fashion-tolerante e seja magra-esquálida e super-gata pra arcar com a responsa de deixar muita pele à mostra.
Hoje não tá fácil!
Queria sol de primeiro mundo, que só ilumina e não esquenta.
E queria também uma burca.
Tô de mal do tempo, da vida séria e do espelho!
E tem mais: ponho hífen onde eu quiser. O blog é meu e pronto.
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sábado, 10 de janeiro de 2009
Gente que faz
(de quase um tudo)
Acabei de voltar da Espanha e tive a grata surpresa de constatar que o país se adaptou bem mais aos cadeirantes. Tem rampa, elevador e facilitadores de barreiras em toda parte. Assim, como feliz consequência, vê-se muita gente de cadeira de rodas pelas ruas, museus, lojas, parques. Vivendo livremente na rua. Eficientes na vida. Um alívio. Deu uma esperança de ver em larga escala a idéia de que cada um deve poder usar o que tem de melhor e não ser impedido pelas suas dificuldades.

Lembrei de uma história legal de um grupo de terapia que eu vi na faculdade. Era uma turminha de 8 pessoas com deficiências diversas que estava na vida, estudando, trabalhando, amando, lutando. Eram 3 homens e 5 mulheres, entre elas duas chamadas Maria: uma com deficiência auditiva e a outra visual. Eles se encontravam com o terapeuta uma vez por semana e dificilmente alguém faltava, mas os atrasos eram constantes, visto que dependiam de transporte público e às vezes ainda tinham contratempos adicionais aos da maioria das pessoas.
Numa certa tarde a terapeuta estava esperando na sala, quase dez minutos passados do horário da sessão e ninguém tinha chegado ainda. Logo apareceu o Giba, esbaforido, pedindo desculpas e dizendo que o trânsito estava uma loucura. Mas que não era pra se preocupar porque ele tinha falado com todo mundo e todos tinham confirmado que iriam à sessão sem falta, menos a Maria, que ia numa missa de batizado ou algo assim. Em seguida, a pergunta da terapeuta foi: Qual das Marias?
E a resposta do Giba: A que escuta.
...
A-ha! Isso aqui não é pra principiantes! Sacou?
Se a vida te der limão, faça limonada.
E se só der pra fazer meio copo, diga que o copo está meio cheio.
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Acabei de voltar da Espanha e tive a grata surpresa de constatar que o país se adaptou bem mais aos cadeirantes. Tem rampa, elevador e facilitadores de barreiras em toda parte. Assim, como feliz consequência, vê-se muita gente de cadeira de rodas pelas ruas, museus, lojas, parques. Vivendo livremente na rua. Eficientes na vida. Um alívio. Deu uma esperança de ver em larga escala a idéia de que cada um deve poder usar o que tem de melhor e não ser impedido pelas suas dificuldades.
Lembrei de uma história legal de um grupo de terapia que eu vi na faculdade. Era uma turminha de 8 pessoas com deficiências diversas que estava na vida, estudando, trabalhando, amando, lutando. Eram 3 homens e 5 mulheres, entre elas duas chamadas Maria: uma com deficiência auditiva e a outra visual. Eles se encontravam com o terapeuta uma vez por semana e dificilmente alguém faltava, mas os atrasos eram constantes, visto que dependiam de transporte público e às vezes ainda tinham contratempos adicionais aos da maioria das pessoas.
Numa certa tarde a terapeuta estava esperando na sala, quase dez minutos passados do horário da sessão e ninguém tinha chegado ainda. Logo apareceu o Giba, esbaforido, pedindo desculpas e dizendo que o trânsito estava uma loucura. Mas que não era pra se preocupar porque ele tinha falado com todo mundo e todos tinham confirmado que iriam à sessão sem falta, menos a Maria, que ia numa missa de batizado ou algo assim. Em seguida, a pergunta da terapeuta foi: Qual das Marias?
E a resposta do Giba: A que escuta.
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A-ha! Isso aqui não é pra principiantes! Sacou?
Se a vida te der limão, faça limonada.
E se só der pra fazer meio copo, diga que o copo está meio cheio.
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Esses trinta e poucos anos
Passaram uma noite deliciosa falando sem parar, enchendo a cara e fumando um cigarro atrás do outro. Acabaram descobrindo mais afinidades quando sobrou espaço na cama de solteiro mesmo estando tão confortavelmente instalados.
Acordaram no dia seguinte ainda enroscados.
- Vixi. Meu pulmão tá apitando...
- Hm? Não é o meu?
Dei risada e achei lindo de morrer. E me dei conta que depois de uma certa idade a gente aprende que é muito mais raro conseguir sincronizar a respiração do que os supiros. E que reciprocidade é a melhor coisa que existe.
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Acordaram no dia seguinte ainda enroscados.
- Vixi. Meu pulmão tá apitando...
- Hm? Não é o meu?
Dei risada e achei lindo de morrer. E me dei conta que depois de uma certa idade a gente aprende que é muito mais raro conseguir sincronizar a respiração do que os supiros. E que reciprocidade é a melhor coisa que existe.
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