eu achei que nunca ia acontecer com a gente.
eu achei que era possível evitar.
eu achei que não ia ter coragem.
eu achei que depois ia ser diferente.
eu achei que não ia sobreviver.
eu achei que ninguém podia me ajudar.
eu tô achando que o sofrimento não vai acabar nunca.
o que me consola é que eu não sei de nada.
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terça-feira, 28 de setembro de 2010
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Garibaldo
não é fácil manter tudo em ordem. a casa, a saúde, os compromissos, tudo mais. estou em franco movimento de tentar manter o que sobrou. da casa, da saúde, da vida toda. estou jogando fora o que ninguém quer mais. tentando achar um novo dono pro que pode ser reaproveitado. estou limpando, lavando, consertando, reformando o que está em uso.
nesta última categoria estavam as almofadas de casa. precisavam de um bom banho. algumas precisavam de um ziper novo. outras de um remendinho. uma das minhas preferidas, a de nózinhos de retalhos amarelos, estava precisando de tudo isso. fiquei na dúvida se valia a pena ou não me dar ao trabalho.
daí pensei nos bons tempos em que ela era conhecida como Garibaldo. companheirão. parceiro. amigo Garibaldo. participava de ensaios musicais, esbórnias de vinho, festas de família, visitas de nenês e avós. estava nas fotos ao nosso lado, ao lado dos alegres convivas, ao lado dos irmãos de passagem, vindos de terras distantes. acordava enlaçado por amigos desnorteados que capotaram no sofá e mal se lembravam onde estavam.
tomei o cuidado de costurar o que precisava antes de mais nada. depois liguei o ciclo suave da máquina de lavar. mas não teve jeito, não. despedaçou-se em centenas de retalhos amarelos. não resistiu. recolhi suas penas-retalhos tom sur tom e coloquei-as no lixo, junto com o desmantelado resto da peça.
no prosaico ato de amarrar o saco de lixo me vi num momento que se encheu de sentido. estou no meio de escombros. roupas, objetos e lembranças. ao despedir do Garibaldo tive medo de nunca mais conseguir olhar as fotos e, pra não sofrer mais, acabar apagando da memória todo o tempo que se foi.
nesta última categoria estavam as almofadas de casa. precisavam de um bom banho. algumas precisavam de um ziper novo. outras de um remendinho. uma das minhas preferidas, a de nózinhos de retalhos amarelos, estava precisando de tudo isso. fiquei na dúvida se valia a pena ou não me dar ao trabalho.
daí pensei nos bons tempos em que ela era conhecida como Garibaldo. companheirão. parceiro. amigo Garibaldo. participava de ensaios musicais, esbórnias de vinho, festas de família, visitas de nenês e avós. estava nas fotos ao nosso lado, ao lado dos alegres convivas, ao lado dos irmãos de passagem, vindos de terras distantes. acordava enlaçado por amigos desnorteados que capotaram no sofá e mal se lembravam onde estavam.
tomei o cuidado de costurar o que precisava antes de mais nada. depois liguei o ciclo suave da máquina de lavar. mas não teve jeito, não. despedaçou-se em centenas de retalhos amarelos. não resistiu. recolhi suas penas-retalhos tom sur tom e coloquei-as no lixo, junto com o desmantelado resto da peça.
no prosaico ato de amarrar o saco de lixo me vi num momento que se encheu de sentido. estou no meio de escombros. roupas, objetos e lembranças. ao despedir do Garibaldo tive medo de nunca mais conseguir olhar as fotos e, pra não sofrer mais, acabar apagando da memória todo o tempo que se foi.
sábado, 12 de junho de 2010
valentine's day dia dos valentes
sábado, 3 de abril de 2010
sobre páscoa, família e o que é sagrado
eu lembro que na minha época de escola existia a 5a feira santa. a gente tinha um dia a mais no feriado da páscoa. eu sempre viajava com a minha família. meus pais faziam jejum na sexta feira, só tomavam água o dia todo. daí minha mãe preparava uma ceia pra eles comerem depois da meia-noite. bacalhau com leite de côco, servido com arroz branco. se a gente estivesse no camping, o arroz nunca era soltinho, porque minha mãe usava uma panela muito grossa que tinha lá no trailler, e o arroz ficava meio papa.
no sábado não acontecia nada de especial e no domingo eles escondiam ovos de páscoa pra mim e pro meu irmão. mesmo depois de grandes, adolescentes, jovens adultos, a gente ainda brincava de fingir surpresa e abraçava os nosso pais, pedindo a eles que agradecessem o coelho por nós.
e sempre a gente almoçava junto. se minha vó estivesse com a gente, o almoço tinha alguma coisa mais religiosa-católica, tipo umas palavras dela sobre a ressurreição de jesus e um pai-nosso. senão era mesmo um almoço de família, que em sua raiz já é religioso. estar com os seus faz a pessoa se sentir parte de alguma coisa maior no mundo. a família ajuda a gente a se ligar no passado e no futuro. dá uma ídeia de continuidade da vida. é a vida eterna da história da gente, mesmo depois que a gente se for. pelo menos é assim a minha sensação de sagrado e religioso.
esse ano está cada um pra um lado. eu tenho coisas de trabalho pra fazer e não achei muita disposição pra viajar e estar com a minha família de origem. hoje faz seis meses que eu me separei do paulão e desde então eu sinto que não tenho mais família pra olhar pro futuro. pode ser de um jeito meio torto, mas agora eu vejo que faz sentido o casamento ser um sacramento. os termos da vida cotidiana não servem pra explicar o que a gente sente quando tem uma família. a certeza de ter um lugar ao qual você pertence é mesmo da alçada da transcendência, como compete aos atos sagrados, dentro de qulaquer que seja a religião.
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no sábado não acontecia nada de especial e no domingo eles escondiam ovos de páscoa pra mim e pro meu irmão. mesmo depois de grandes, adolescentes, jovens adultos, a gente ainda brincava de fingir surpresa e abraçava os nosso pais, pedindo a eles que agradecessem o coelho por nós.
e sempre a gente almoçava junto. se minha vó estivesse com a gente, o almoço tinha alguma coisa mais religiosa-católica, tipo umas palavras dela sobre a ressurreição de jesus e um pai-nosso. senão era mesmo um almoço de família, que em sua raiz já é religioso. estar com os seus faz a pessoa se sentir parte de alguma coisa maior no mundo. a família ajuda a gente a se ligar no passado e no futuro. dá uma ídeia de continuidade da vida. é a vida eterna da história da gente, mesmo depois que a gente se for. pelo menos é assim a minha sensação de sagrado e religioso.
esse ano está cada um pra um lado. eu tenho coisas de trabalho pra fazer e não achei muita disposição pra viajar e estar com a minha família de origem. hoje faz seis meses que eu me separei do paulão e desde então eu sinto que não tenho mais família pra olhar pro futuro. pode ser de um jeito meio torto, mas agora eu vejo que faz sentido o casamento ser um sacramento. os termos da vida cotidiana não servem pra explicar o que a gente sente quando tem uma família. a certeza de ter um lugar ao qual você pertence é mesmo da alçada da transcendência, como compete aos atos sagrados, dentro de qulaquer que seja a religião.
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domingo, 28 de março de 2010
não tente fazer isso em casa
tem coisas que a gente vê na tv, lê nos livros ou ouve dizer que na vida dos outros deu certo, que todo mundo sobreviveu. mas eu acho que isso daí é pura mentira.
tem coisas que só mesmo os profissionais deveriam fazer. e lá no mundo deles. a gente nunca deveria tentar fazer na própria casa.
matar uma criança, por exemplo, não é o tipo de coisa que a gente deve fazer na casa da gente. tem muita chance de dar merda. é melhor deixar pros assassinos e psicopatas, que tem mais experiência e não vão fazer um monte de bobagens pra acabar apodrecendo na cadeia.
outro bom exemplo é separação. é uma coisa que deveria ser deixada pra profissionais do ramo, como a suzana vieira ou a elizabeth taylor, que conseguem se recuperar como fênixes e tocam a vida em frente. quem se mete a fazer isso sem experiência no assunto acaba sofrendo muito...
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tem coisas que só mesmo os profissionais deveriam fazer. e lá no mundo deles. a gente nunca deveria tentar fazer na própria casa.
matar uma criança, por exemplo, não é o tipo de coisa que a gente deve fazer na casa da gente. tem muita chance de dar merda. é melhor deixar pros assassinos e psicopatas, que tem mais experiência e não vão fazer um monte de bobagens pra acabar apodrecendo na cadeia.
outro bom exemplo é separação. é uma coisa que deveria ser deixada pra profissionais do ramo, como a suzana vieira ou a elizabeth taylor, que conseguem se recuperar como fênixes e tocam a vida em frente. quem se mete a fazer isso sem experiência no assunto acaba sofrendo muito...
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quarta-feira, 17 de março de 2010
amnésia: esquecimento e lembranças
A amnésia que eu vejo em meus pacientes após um acidente cerebral, na maior parte das vezes, pouco se parece com a síndrome retratada em Hollywood. O cinema em geral mostra casos de pessoas que esqueceram tudo o que já viveram: 'Onde estou?', 'Quem sou?'. Essa é a amnésia retrógrada - apaga tudo dalí pra trás.
Isso aí até existe, mas a amnésia mais comum é aquela igual a da peixinha Dori, do filme 'Procurando Nemo': ela é inteligente, sabe quem é, lembra coisas do passado, mas não consegue guardar coisas da história atual; é um problema de memória recente. Essa se chama amnésia anterógrada.
E é isso que acontece com os meus pacientes: desde que tiveram um acidente eles tem um defeito no registro de novas informações. Então, eles se lembram em geral muito bem de tudo que ocorreu antes do acidente (salvo um apagão de logo antes e logo depois da doença em si), mas não conseguem formar novas memórias de forma eficiente. Assim, a vida desde o acidente vira um amontoado de fatos e informações meio isoladas, desorganizadas cronologicamente. E muita coisa nem sequer amontoa. Apaga mesmo e é como se nunca tivesse acontecido.
Os casos de amnésia anterógrada total existem, mas são raros: é como se a pessoa tivesse parado em um certo dia ou ano de sua vida, e não aprende mais informações desde então. Fica parada em uma época, sem registro de que coisas acontecem e de que o tempo passa. O caso mais famoso dessa patologia foi o paciente HM, de quem eu falei aqui nesse post de 2008, quando ele morreu.
A amnésia anterógrada mais comum, entretanto, não é total. A mais típica é, de novo, muito bem retratada na peixinha Dori que consegue aprender algumas coisas mas não outras. O que ela usa e repete toda hora se fixa de uma forma um pouco melhor, mas o que não usa ou não chama muito a atenção se apaga.
E daí se mostra um fenômeno muito legal, pois apesar de ser frequente também entre as pessoas normais, ele é muito mais acentuado, quase caricato, entre as pessoas amnésicas: é o poder de fixação da memória emocional.
Todo mundo lembra melhor do que interessa, certo? Mas pra essas pessoas não é uma questão de lembrar melhor. Funciona mais como: eu só me lembro do que tem muito valor emocional, ou porque me interessa muito, ou porque me assustou, ou porque eu detestei. Dessa forma, a vida dos amnésicos acaba se orientando por aquilo que é rotineiro e se repete exatamente igual todo dia e fora isso há uma coleção de eventos marcantes. O resto vai e vem no amontoado de eventos desordenados no tempo.
Tudo isso pra contar que acabei de conhecer um homem de 60 anos que sofreu um acidente de carro aos 20. O impacto cerebral foi gravíssimo e ele ficou bem amnésico, assim desse jeitinho mais comum da gente ver: amnésia anterógrada importante mas não total. E isso faz parte da vida dele há 40 anos!
Nesse tempo (dos 20 aos 60 anos) ele teve muita ajuda da familia e amigos e realmente conseguiu uma vida plena: terminou a faculdade, trabalhou, namorou, casou, teve 2 filhos, fez amigos, viajou, enterrou pessoas queridas, viu governos entrarem e saírem, viu filmagens e re-filmagens no cinema e nas novelas da Globo, viu o homem pisar na lua, viu o muro de Berlim cair, viu guerras no mundo, tecnologia, internet, revoluções sociais, mudanças de comportamento, o vai e vem das calças boca de sino e dos carros da Volkswagen.
Na consulta de hoje, como eu costumo fazer com meus pacientes, eu risquei uma linha em uma folha, coloquei o ano de seu nascimento em um extremo e o ano atual no outro, e pedi para que ele apontasse os fatos e eventos que mais o marcaram na vida. Não foi muita surpresa o que aconteceu: até a data do acidente ele marcou mortes, entradas e saídas nas escolas, viagens e o próprio desastre de carro. De lá pra frente, ele marcou sua vida em namoradas, paixões não-correspondidas, uniões e separações. Depois de eu insistir um pouco ele conseguiu fazer umas contas e marcou também o ano de nascimento dos filhos.
Nenhuma só palavra sobre trabalho, perrengues diários, desavenças, pequenos triunfos, grandes feitos, doenças, mortes, nada! Só amores e desamores. Foi isso que sua memória parca selecionou como importante pra ser guardado apesar da deficiência.
Fiquei aqui pensando: da vida a gente não leva nada. E mesmo em vida a gente devia carregar só o que realmente importa...
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Isso aí até existe, mas a amnésia mais comum é aquela igual a da peixinha Dori, do filme 'Procurando Nemo': ela é inteligente, sabe quem é, lembra coisas do passado, mas não consegue guardar coisas da história atual; é um problema de memória recente. Essa se chama amnésia anterógrada.
E é isso que acontece com os meus pacientes: desde que tiveram um acidente eles tem um defeito no registro de novas informações. Então, eles se lembram em geral muito bem de tudo que ocorreu antes do acidente (salvo um apagão de logo antes e logo depois da doença em si), mas não conseguem formar novas memórias de forma eficiente. Assim, a vida desde o acidente vira um amontoado de fatos e informações meio isoladas, desorganizadas cronologicamente. E muita coisa nem sequer amontoa. Apaga mesmo e é como se nunca tivesse acontecido.
Os casos de amnésia anterógrada total existem, mas são raros: é como se a pessoa tivesse parado em um certo dia ou ano de sua vida, e não aprende mais informações desde então. Fica parada em uma época, sem registro de que coisas acontecem e de que o tempo passa. O caso mais famoso dessa patologia foi o paciente HM, de quem eu falei aqui nesse post de 2008, quando ele morreu.
A amnésia anterógrada mais comum, entretanto, não é total. A mais típica é, de novo, muito bem retratada na peixinha Dori que consegue aprender algumas coisas mas não outras. O que ela usa e repete toda hora se fixa de uma forma um pouco melhor, mas o que não usa ou não chama muito a atenção se apaga.
E daí se mostra um fenômeno muito legal, pois apesar de ser frequente também entre as pessoas normais, ele é muito mais acentuado, quase caricato, entre as pessoas amnésicas: é o poder de fixação da memória emocional.
Todo mundo lembra melhor do que interessa, certo? Mas pra essas pessoas não é uma questão de lembrar melhor. Funciona mais como: eu só me lembro do que tem muito valor emocional, ou porque me interessa muito, ou porque me assustou, ou porque eu detestei. Dessa forma, a vida dos amnésicos acaba se orientando por aquilo que é rotineiro e se repete exatamente igual todo dia e fora isso há uma coleção de eventos marcantes. O resto vai e vem no amontoado de eventos desordenados no tempo.
Tudo isso pra contar que acabei de conhecer um homem de 60 anos que sofreu um acidente de carro aos 20. O impacto cerebral foi gravíssimo e ele ficou bem amnésico, assim desse jeitinho mais comum da gente ver: amnésia anterógrada importante mas não total. E isso faz parte da vida dele há 40 anos!
Nesse tempo (dos 20 aos 60 anos) ele teve muita ajuda da familia e amigos e realmente conseguiu uma vida plena: terminou a faculdade, trabalhou, namorou, casou, teve 2 filhos, fez amigos, viajou, enterrou pessoas queridas, viu governos entrarem e saírem, viu filmagens e re-filmagens no cinema e nas novelas da Globo, viu o homem pisar na lua, viu o muro de Berlim cair, viu guerras no mundo, tecnologia, internet, revoluções sociais, mudanças de comportamento, o vai e vem das calças boca de sino e dos carros da Volkswagen.
Na consulta de hoje, como eu costumo fazer com meus pacientes, eu risquei uma linha em uma folha, coloquei o ano de seu nascimento em um extremo e o ano atual no outro, e pedi para que ele apontasse os fatos e eventos que mais o marcaram na vida. Não foi muita surpresa o que aconteceu: até a data do acidente ele marcou mortes, entradas e saídas nas escolas, viagens e o próprio desastre de carro. De lá pra frente, ele marcou sua vida em namoradas, paixões não-correspondidas, uniões e separações. Depois de eu insistir um pouco ele conseguiu fazer umas contas e marcou também o ano de nascimento dos filhos.
Nenhuma só palavra sobre trabalho, perrengues diários, desavenças, pequenos triunfos, grandes feitos, doenças, mortes, nada! Só amores e desamores. Foi isso que sua memória parca selecionou como importante pra ser guardado apesar da deficiência.
Fiquei aqui pensando: da vida a gente não leva nada. E mesmo em vida a gente devia carregar só o que realmente importa...
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sábado, 20 de fevereiro de 2010
pra quem sempre achou que dançar era o programa favorito eu tô é lascada
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DANÇA DA SOLIDÃO
Paulinho da Viola
Solidão é lava
Que cobre tudo
Amargura em minha boca
Sorri seus dentes de chumbo
Solidão, palavra
Cavada no coração
Resignado e mudo
No compasso da desilusão
Viu!
Desilusão, desilusão
Danço eu, dança você
Na dança da solidão
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DANÇA DA SOLIDÃO
Paulinho da Viola
Solidão é lava
Que cobre tudo
Amargura em minha boca
Sorri seus dentes de chumbo
Solidão, palavra
Cavada no coração
Resignado e mudo
No compasso da desilusão
Viu!
Desilusão, desilusão
Danço eu, dança você
Na dança da solidão
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
pessoal do caso reto
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
domingo, 13 de dezembro de 2009
entangled in a thousand threads

não pára nunca de tocar esse maldito telefone. é sempre engano, porque quem ligaria pra mim sabe que eu não atendo mesmo. pois é, não sei porque tô pagando essa linha. sei que já é tarde mas ainda não tô afim de acordar. se eu virar o travesseiro ele fica bem fresquinho e eu consigo dormir mais um pouco. fecho os olhos com força pra me esconder da claridade da tarde que entra pela persiana fechada. uma outra coisa ruim de dormir sozinha é que os pernilongos todos só tem o seu pé pra escolher.
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sábado, 5 de dezembro de 2009
pacifier
try to rest a bit. ou cigarro. vinho. livro. chiclete. yoga. música. internet. tv. prozac. try everything. go with whatever works.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
monstros s.a.

no manual para pessoas que sofrem deviam constar instruções de como não se tornar um monstro. de como não ser intratável e arredia só porque você não se sente bem e acha que não tem nada de bom pra dar. de como não infernizar a vida dos outros com seu escárnio e seu cinismo só porque você está com raiva. de como não se achar no direito de negligenciar as necessidades das outras pessoas em favor do seu umbigo. de como não contaminar a água da população com seu fel de pessimismo só porque você está triste. de como não ser agressiva e bocuda só porque você se sente julgada e desconfortável na presença de outras pessoas. só que não tem nada disso no manual. a única coisa que tem é a mesma frase em todas as páginas: uma hora vai passar. grandes merdas. se era pra falar isso não sei porque abriu a boca.
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bandeirada
que trânsito, não?
ah! são paulo não dá mais...
não tem mais horário. é o dia inteiro cheio de carro.
nem diga!
precisava era melhorar o transporte público, isso sim!
é verdade. uma cidade tão grande e o metrô é tão pequeno.
pois é. se não melhorarem o metrô essa cidade vai parar!
já parou, meu amigo. já parou...
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ah! são paulo não dá mais...
não tem mais horário. é o dia inteiro cheio de carro.
nem diga!
precisava era melhorar o transporte público, isso sim!
é verdade. uma cidade tão grande e o metrô é tão pequeno.
pois é. se não melhorarem o metrô essa cidade vai parar!
já parou, meu amigo. já parou...
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009
térreo por favor
gente, mas tá quente, não?
pois é. ontem a noite tava até fresquinho, e agora esse forno...
não é?
tempo doido, viu?
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pois é. ontem a noite tava até fresquinho, e agora esse forno...
não é?
tempo doido, viu?
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terça-feira, 17 de novembro de 2009
Bolo Peteleco
a receita da tia maria helena era igual a da cozinha nestlé: o peteleco é um bolo de chocolate estilo nega maluca, fácilimo! fica muito fofo e saboroso. não tem como errar. bom pra todas as horas. não precisa bater. super rápido!
Ingredientes
Calda
6 colheres (sopa) de açúcar
2 colheres (sopa) de Chocolate em Pó DOIS FRADES
1 colher (chá) de raspas da casca de laranja
1 colher (chá) de manteiga
Massa
3 xícaras (chá) de farinha de trigo
2 xícaras (chá) de açúcar
1 xícara (chá) de Chocolate em Pó DOIS FRADES
1 colher (chá) de fermento em pó
1 colher (chá) de bicarbonato de sódio
1 xícara (chá) de óleo
2 ovos ligeiramente batidos

Modo de Preparo
Calda
Misture todos os ingredientes e leve ao fogo baixo com meia xícara (chá) de água, deixando ferver até obter uma calda grossa. Retire do fogo e espalhe ainda quente, sobre o bolo, assim que retirá-lo do forno.
Massa
Peneire juntos a farinha, o açúcar, o Chocolate em Pó, o fermento e o bicarbonato em uma vasilha. Junte o óleo, os ovos e por último duas xícaras (chá) de água fervente, misturando bem. Despeje a massa em uma assadeira retangular (22 x 33 cm) untada e asse em forno médio-alto (200ºC), preaquecido, por cerca de 25 minutos.
Sirva puro ou com sorvete.
Também fica uma delícia acompanhando o cafezinho.
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Ingredientes
Calda
6 colheres (sopa) de açúcar
2 colheres (sopa) de Chocolate em Pó DOIS FRADES
1 colher (chá) de raspas da casca de laranja
1 colher (chá) de manteiga
Massa
3 xícaras (chá) de farinha de trigo
2 xícaras (chá) de açúcar
1 xícara (chá) de Chocolate em Pó DOIS FRADES
1 colher (chá) de fermento em pó
1 colher (chá) de bicarbonato de sódio
1 xícara (chá) de óleo
2 ovos ligeiramente batidos

Modo de Preparo
Calda
Misture todos os ingredientes e leve ao fogo baixo com meia xícara (chá) de água, deixando ferver até obter uma calda grossa. Retire do fogo e espalhe ainda quente, sobre o bolo, assim que retirá-lo do forno.
Massa
Peneire juntos a farinha, o açúcar, o Chocolate em Pó, o fermento e o bicarbonato em uma vasilha. Junte o óleo, os ovos e por último duas xícaras (chá) de água fervente, misturando bem. Despeje a massa em uma assadeira retangular (22 x 33 cm) untada e asse em forno médio-alto (200ºC), preaquecido, por cerca de 25 minutos.
Sirva puro ou com sorvete.
Também fica uma delícia acompanhando o cafezinho.
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009
mais de mil vezes
ninguém liga no telefone de casa. não quem quer me achar. quem poderia ser? deixei tocar mais de mil vezes pensando que não queria falar com ninguém. mas no fundo torcendo pra ouvir sua voz na secretária. você sabe que eu não atendo mesmo. talvez estivesse querendo dar um sinal de vida. deixar um contato. sei lá. ligar pra não conseguir falar. deixar um recado sem dizer nada importante. só pra não acabar de vez com a comunicação. acho que quem queria isso era eu. deixei tocar mais de mil vezes. resolvi atender na esperança de ser você. era engano. ninguém liga no telefone de casa. não quem quer me achar.
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blecaute
eu queria a sorte de uma pane de energia toda noite.
apaga a luz e usa a energia pra outra coisa.
a gente teria aposentado o micro-ondas pra jantar sempre à luz de velas. slow food. a gente ia ter desligado o Friends na tv pra rir das nossas próprias histórias. a gente teria deixado o trabalho no trabalho e a gente não usaria o computador pra nada. a gente ia jogar paciência a dois. com as cartas na mesa.
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apaga a luz e usa a energia pra outra coisa.
a gente teria aposentado o micro-ondas pra jantar sempre à luz de velas. slow food. a gente ia ter desligado o Friends na tv pra rir das nossas próprias histórias. a gente teria deixado o trabalho no trabalho e a gente não usaria o computador pra nada. a gente ia jogar paciência a dois. com as cartas na mesa.
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segunda-feira, 9 de novembro de 2009
soul for sale (again)
Poder, sucesso, dinheiro, beleza, juventude eterna.
O que é que te faria vender a alma?
Tema recorrente na cultura ocidental e neste blog:
O que é o dom mais valioso pra você?
O que você pediria em troca pro Coisa Ruim?
Eu já estive certa de que eu pediria tempo.
Hoje, creio, eu pediria certezas.
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O que é que te faria vender a alma?
Tema recorrente na cultura ocidental e neste blog:
O que é o dom mais valioso pra você?
O que você pediria em troca pro Coisa Ruim?
Eu já estive certa de que eu pediria tempo.
Hoje, creio, eu pediria certezas.
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009
tempestade de areia
ardem meus olhos de pouco dormir, muito chorar ou falta de umidade no ar?
meu peito aperta de muita tristeza, tanto cigarro ou calor infernal?
essa indisposição inerte veio pelo cansaço, pela apatia ou pela temperatura?
não é possível se sentir tão mal assim. it's gotta be the heat!
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meu peito aperta de muita tristeza, tanto cigarro ou calor infernal?
essa indisposição inerte veio pelo cansaço, pela apatia ou pela temperatura?
não é possível se sentir tão mal assim. it's gotta be the heat!
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