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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

o fim de uma era

descobri que eu não gosto de bar sem cigarro.
ter que sair pra fumar - nem que seja só até ali - trava a conversa e estraga o mood da mesa. dá pra ser feliz no bar sem beber. mas não sem fumar. it sucks big time.
acho que agora tá na hora de ter filhos ou escolher outra atividade preferida de todos os tempos.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

qual a ocasião?

ir no bar sem motivo é coisa de vagabundo.
beber sem motivo pra celebrar é coisa de bêbado.

recebi hoje um email pois estou na lista de um dos amigos jovens. bem aquele que não dá a mínima pra futebol e, até onde eu sei, nunca chegou perto de uma criança ou um bebê por espontânea vontade. segue abaixo o texto do email na íntegra:


o kaká quer fazer gol hoje pro filho que completa um ano
a gente não pode deixar de prestigiar, né, minha gente?
qual bar?


entendeu a moral da história?
a pessoa há que ser coerente com seus princípios nessa vida...
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sexta-feira, 22 de maio de 2009

post pronto

eu sou nostálgica desde sempre. quando não tinha vivido o suficiente pra sentir saudade do meu passado eu tinha saudade do passado do mundo, e queria ter nascido no tempo dos beatles. agora que eu tenho bastante passado pra lembrar, sinto falta das coisas mais bestas, só porque elas me levam de volta pra pra um tempo que se foi.

outro dia estava conversando com um amigo sobre a lei antifumo, e cheguei a conclusão de que algumas coisas deveriam mesmo ficar no passado.


imagina só como é que vai ser depois de 6 de agosto:

- Fui pego fumando escondido, droga...
- Mas onde?
- No bar!

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terça-feira, 5 de maio de 2009

Got fire, honey?

Quando eu morava na Philadelphia, eu costumava comprar meu café multicondimentado num copo de 20 oz. do Wawa e me sentava na pracinha pra ver o movimento, ler alguma coisa, fumar meu cigarrinho e, inevitavelmente, fazer amigos. Sim. Fazer amigos na pracinha. Isso pra mim foi uma grande surpresa americana.

Toda a rigidez e frieza que fazem a fama dos americanos no ambiente de trabalho ou sei lá mais onde, realmente não existem no dia-a-dia da cidade. Se você está à toa num banco de madeira, todo tipo de gente pode parar pra conversar com você e ser seu melhor amigo durante aquele bate-papo. Mas outro dia eu falo mais dos inúmeros amigos que fiz na Rittenhouse Square. Hoje eu queria falar de uma mulher só.

Era uma senhora dos seus 60 e poucos anos, bem bonitona de corpo, que devia ter sido muito linda na juventude (o que hoje só se imaginava pelo azul doído dos olhos). Estava vestida de forma um pouco mais jovial do que sua idade realmente permitia, mas sua aparência geral dizia que tinha um bom nível social. Ela se aproximou com um cigarro apagado entre os dedos e me pediu fogo.

Pra quem não sabe, o cigarro, assim como os bebês e os cachorros, são um ótimo quebra gelo social, e podem render assunto por mais de hora e criar amigos leais para sempre (se bem que os dois últimos, embora um sucesso na pracinha, não funcionariam bem na balada).

Nosso assunto veio fácil, principalmente porque tinham acabado de aprovar a lei antifumo na costa oeste dos Esteites. E foi então que ela fez sua observação triste, de como os prazeres humanos mais elementares vão se submetendo às mudanças do mundo.

Quantos anos você tem, honey? ela perguntou. E depois da minha resposta emendou: então, você não sabe o que é sexo sem se preocupar com HIV e camisinha. True. Quando o mundo conheceu o paciente zero da AIDS eu tinha 8 anos.

And now baby, ela completou, a nova geração não vai saber o que é passar horas e horas bebendo alguma coisa e fumando com os amigos ao redor de uma mesa!

A conversa se desenvolveu com imensa cumplicidade entre nós, como duas pessoas sortudas que puderam passar os jovens anos fumando com os amigos no bar. Só quem já fez isso sabe do que se trata. E não tem nada - ou quase nada - melhor nesse mundo.

Você pensa na vida entre baforadas e muda de opinião e revê seus conceitos e se torna uma pessoa melhor a cada bituca fedorenta apagada. O tempo de se queimar um cigarro é o tempo de gestação de uma idéia brilhante. Aquele dia na pracinha nós duas tivemos certeza de que a Revolução Francesa e a Independência Americana jamais teriam acontecido se não fosse permitido àqueles homens fumar com os amigos no bar.

Eu sei que é pro bem de todos e etc e tal. Mas vou falar uma coisa pra vocês: a minha vida nunca mais será a mesma depois dessa lei antifumo. Tô achando péssimo. Muito ruim mesmo. Tô bem triste.

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terça-feira, 31 de março de 2009

Salve Jorge!

ou "não precisa ter medo. mulher feia não morde"
ou "mulher Elliot Ness qualquer um pega!***"

Tem um dos amigos jovens que é famoso por seus dotes como escritor. E igualmente famoso por sua, vamos dizer, generosidade com relação à estética das mulheres que passam por sua vida.

Sim, amigas! Ele é um dos valentes, ele é um dos homens que deveriam ser clonados: ele paquera, dá em cima e vive affairs com mulheres fora do padrão estético convencional!

Alguns dizem que ele 'pega mulher feia', mas eu não posso aceitar tamanha leviandade. Caras como ele são agentes do bem, que ajudam a gente a manter a fé na humanidade, que fazem do mundo um lugar legal para se viver.

E não que esses caras não saibam a diferença entre bonitas e feias! Eles sabem, sim. Mas gostam de mulher e ponto final. Conseguem achar uma mulher interessante mesmo que não seja bonita.

Oh boy! How we need that. Porque eu não sei que diabos acontece com as mulheres, que por mais sensacional que a gente seja, parece que nada tem valor se a gente não tiver um olhar masculino de admiração. Deve ser algum maldito resquício de evolução mal resolvida pra garantir a perpetuação da espécie, ou coisa que o valha. Ainda bem que existem caras assim que nem esse pra amenizar essa maldade que a natureza fez quando criou a auto-estima exo-dependente das meninas.

Brother, cê mora aqui, ó! Gente que nem você deveria dar aulas pelo mundo. Desde os clubinhos de escoteiros até os grupos de golfe e charutos, passando pelas rodas de boemia e pela turma do bate-bola na várzea.
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domingo, 8 de março de 2009

Am I the same girl? Really?

Z Carniceria. Rua Augusta, 934. Centro.

Na semana passada um dos amigos jovens sugeriu um lugar diferente pra nossa cervejinha semanal. No baixo Augusta, mantém o clima da locação - um antigo açougue. Tem garçonetes poptchura de topetinho e rabo de cavalo, dj a postos mandando bem num rockabilly clááááááássico.

Eu cheguei cedo, antes de todos os amigos, e acabei ficando por alí admirando a fauna população local. Misturados a uma pequena minoria de gente normal, havia menininhas descoladas em estilo lillyallenesque. Garotas mais "maduras", quase da minha idade, vestidas e maquiadas com um ar de Betty Boop. Uns novos modernos - 'os compridos' que agora andam por aí: muito magros, muito altos, meio andróginos, de roupa muito apertada e cabelinho liso meio comprido (acho que eles são a tribo chick magnet do momento; vieram substituir os cabelinhos encaracolados + barba).

E tinha também outra galerinha, que foi a que mais me intrigou, composta na maioria por homens, já confortáveis na década dos 30, de topete e costeleta, cheeeeios de tatuagens, piercings, alargadores de orelha, etc e tal. Eles me pareciam incrivelmente familiares. Era uma viagem ao século passado, quando esses caras ainda estavam na primeira tatuagem, exibida com orgulho em baixo da manga meio dobrada da camiseta. E eu ainda era menor de idade e meu pai me levava com as amigas pra dançar na Praça Roosevelt num muquifo chamado HOELLISH, que tocava rockabilly e era o lugar mais legal do planeta.

Corta pra quase 20 anos depois. Lá estamos todos: eu e os carinhas de topete que dançavam com a gente e faziam a gente suspirar de saudade durante a semana. Só que agora eles têm muitas tatoos a mais e alguns piercings pelo corpo. O resto estava igual: roupas, cabelo, atitude. E eu tenho quilos a mais. E uso roupas sem graça pra trabalhar no consultório. E tenho atitude sempre meio preocupada de quem carrega muitas chaves na bolsa. E nunca mais ouvi meus discos do Buddy Holly.

No caminho do banheiro passei pelo dj e tive um impulso de cumprimentá-lo, porque o som estava sensacional. Ele pareceu surpreso com o elogio e sorriu meio sem graça, daqueles sorrisos sem malícia que fazem os homens parecerem meninos - acho que foi por isso que eu o reconheci. Aposto que você tem 30 e poucos anos, eu disse. Ele só assentiu com a cabeça. Você não era amigo do Johnny e estava sempre na Hoellish da Praça Roosvelt? Ele deu uma risada mais relaxada de quem agora estava entendendo aquele papo esquisito: Nooossa! Faz tempo! Mas eu sabia que te conhecia de algum lugar... É, eu também sabia. Bom, valeu pelo som. Falou.

Ainda bem que ele me reconheceu. Porque eu mesma quase já não me reconheço mais. Tem coisas que aconteceram há tanto tempo que eu nem consigo saber se minhas memórias são de verdade.



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Fiquei tão saudosista! Deu vontade de dividir umas lembranças.








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sábado, 7 de março de 2009

Ao amigo cineasta, un croissant et un coer!

Tem esse meu amigo que escreve e faz cinema. Ele próprio é um personagem. Fala mais rápido do que o interlocutor consegue escutar. Às vezes come umas letras quando escreve. Parece ter mais coisas rolando dentro da cabeça do que consegue de fato por pra fora. Precisa escrever, falar, filmar. Ainda assim é inquieto e frequentemente distraído pelo seu próprio barulho mental.

Pelo que conheço dele, os relacionamentos humanos são o tema favorito. Acho que ele gosta de família, lealdade e vidas que se cruzam com ou sem motivo. Mas ainda se sente mais a vontade falando de histórias de homens e mulheres.

É corajoso o suficiente pra falar de masculinidade em tempos de feminismo estúpido e canalhização dos homens. Em tempos de politicamente correto consegue ser sensível e não ofensivo, mas ainda masculino, quando escreve sobre desejo, romance, sexo e paixão. Mostra até uma certa pureza, como quem não se tornou cínico sobre o sexo oposto apesar do conhecimento de causa. Um homem-menino que ainda não se desencantou por uma imagem idealizada das mulheres e, por isso, mostra-se um observador generoso e lisongeiro em seus textos. *

A nossa sorte é que ele bancou ganhar dinheiro com isso. Tem que escrever todo dia pra viver. Graças a deus não escolheu uma profissão outra, que o ocupasse e obrigasse a silenciar o turbilhão de idéias. É possível que ter que escrever doesn't matter what seja mais sofrido pro autor, mas é melhor pro público. O autor desafiado tem que aprender a disciplinar a inspiração.

Uma hora dessas no bar ele estava tão inquieto que não conseguia acompanhar o assunto da mesa. Do nada disse que ficava puto porque não tinha a certeza de que conseguiria um dia escrever um filme que todo mundo sacasse. Um filme universal. E foi assim que quem se perdeu do assunto da mesa fui eu, pensando sobre o que seria o filme universal.

O que será que faz uma obra tocar todo mundo? Não há de ser por uma história, nem por uma linguagem, nem por uma técnica. A forma acaba esbarrando sempre em um quê de regional e datado. O único jeito de ser universal mesmo é rasgar o coração e achar um jeito de filmar aquilo que se sente. Porque sentir é única coisa que faz todo mundo igual.

Pois é darling, eu lamento. Sei que vai doer, mas você vai ter que se acostumar a se expor mais e mais. E vai ter que aprender a entender porque é que as pessoas acham isso tão bonito.
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