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sexta-feira, 29 de março de 2013

Amores, isqueiros e a vida. Parte 2


"Que não seja imortal, posto que é chama..."


De tudo que eu falo, tudo, um pouco é sempre sobre amor. Também pode ser sobre coisas que eu descobri da vida. Mas a maior parte é mesmo sobre amor.

Amores e a vida. O jeito melhor do mundo pra falar disso é em volta da mesa, com amigos dispostos a ouvir sobre novos e velhos amores.
Surpresas, encantos, encontros ardentes, corações partidos, eternos vai-e-vens.

Fui acender um cigarro e vi que meu isqueiro tinha acabado. Queimou tudo que tinha pra queimar. É raro acontecer isso, não? Parece que o normal é que isqueiro não acaba. Isqueiro é uma coisa que se perde. Ou alguém vem e rouba de você antes que ele acabe. Perdeu um rosa. Apareceu um branco. Sumiu o branco. Comprou um laranja. E assim vai.

É claro: isso me fez pensar de novo sobre amor e sobre a vida da gente. Sobre a implacável impermanência de tudo que aparece na vida da gente. Tem coisas que queimam até o final e acabam. Tem coisas que ainda podiam queimar mais um pouquinho, mas a gente acaba perdendo. Ou alguém põe no bolso e leva embora. Ou a gente descobre que é de outra pessoa e tem que devolver.



pra quem quiser ver, a parte 1 tá aqui

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

VERDE MAR DOS OLHOS DELE


Tinha olhos pequenos e pernas compridas. Se jogava na água e pegava jacaré até beeeem no rasinho. Apertava os olhos ardidos de sal e sorria com a boca grande.

As vezes ficava sozinho na areia e via os meninos maiores entrando pra surfar. Achava legal que eles punham a mão na água e faziam o sinal da cruz.

Um dia arrumou uma prancha azul, sabe-se lá onde. Era azul? Não importa. O que importa é que ele ficava de pé, equilibrado nas pernas compridas, e aquilo era bom demais. Nem via o tempo passar.

Pena que logo a prancha se espatifou na areia. Da prancha foi um pedaço azul pra cada lado. Do menino dos olhos pequenos foi um caldo e um cotovelo ralado. Foi assustador pensar em perder as ondas.

Nem passou na cabeça pedir mais ajuda da vó e do vô.

E aí aprendeu uma coisa pra vida toda: o que quisesse, teria que conseguir sozinho. 
E assim foi.

Juntou seus brinquedos e rifou. Fez questão de levar os prêmios na casa da menina sorteada. Foi a primeira vez que viu uma menina chorar de alegria. Não entendeu direito e pensou que meninas eram estranhas, mas gostou muito que ela deu um beijo nele.

Não queria nunca mais ter uma prancha partida pelas ondas. Comprou uma prancha difícil de quebrar, e nunca mais parou de surfar.

Coitada da menina que ficou com o coração partido. 
Ele nunca mais voltou pra buscar outro beijo dela.


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

ginástica (ou how many laps to go)

quando eu era pequena estudava numa escola super engajada em esportes e educação física. na época, a gente chamava de aula de ginástica.

todo semestre, a nossa avaliação da ginástica incluia exame biométrico (terrorismo infantil, assunto pra outros posts e sessões de terapia), e outras medidas objetivas de desempenho: quanto tempo você conseguia ficar equilibrado em cada um dos pés, olhando para cima; subindo em um banco, em pé com as pernas esticadas, voce devia se alongar com as mão tocando os pés, e mediam quantos centímetros além dos pés você conseguia ir (para alguns essa medida era quantos centímetros faltavam até os pés); quantos abdominais você conseguia fazer em um minuto; e a mais pesada de todas, que era quanto tempo você levava para correr 1 kilometro.

essa medida era feita na quadra maior, de baixo de sol. você tinha que dar 11 voltas ao redor da quadra, externamente à marcação da quadra de handball, e passando por trás das traves do gol. as diversas salas da mesma série competiam pelo melhor resultado de grupo. então, tinha uma criatura de outra sala contando suas voltas, para garantir que você não ia "roubar", e a contagem de voltas era acompanhada também por uma criatura da sua própria sala pra garantir que o aluno da outra sala não ia te sacanear. a coisa era séria.

eu lembro da terrível sensação de calor e cansaço. cada volta completa não parecia uma vitória, porque eu ia ficando cada vez mais cansada. parecia um castigo que não acabava nunca. lembro de achar aquilo tudo desnecessário, desumano, injusto. lembro da vontade de desistir. de parar e sair chorando. mas acabava continuando pra não desapontar os colegas de sala e pra não ser tratada como café com leite. era isso que me fazia continuar. eu não gostava de correr, não me preocupava em fazer um tempo x ou y, não tinha satisfação pessoal pelo ato de competir, nem era motivada pelo sentimento de auto-superação. eu seguia mesmo pelo time. pelo amor das outras pessoas.

hoje é meu aniversário. isso quer dizer que eu completei mais uma volta ao redor do sol.

eu ainda não achei um grande objetivo de vida. não gosto de me testar e me superar, não acredito na cultura do sofrimento purificador. não entendo direito o que é que a gente vem fazer aqui. mas continuo tendo brios pra não ser chamada de café com leite. e continuo vendo que o único sentido de completar essa bagaça é mesmo obter o amor dos outros.

obrigada a todos que estiveram do meu lado e me deram amor nesta minha longa sequencia de voltas ao redor do sol.


sábado, 12 de junho de 2010

dia dos namorados

(post alternativo)

para os sortudos que tem pra quem dizer:
We will always have Paris...

valentine's day dia dos valentes

porque valentines é a pqp.





o último dia dos namorados foi há 365 dias.
equivalente a dizer: foi há 180 graus.
ou há 273 altos e baixos de roller coaster emocional.

o que também pode ser expresso através da sensação diária de movimentos de ciclo centrífuga brastemp no estômago.

blargh.
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quinta-feira, 29 de abril de 2010

TIL THE VERY END

não é força de expressão.
seria mesmo mentira dizer que tenho alguma queixa dele.
meu pai cuidou de mim a minha vida inteirinha.
não houve uma só vez que ele me deixou na mão.
pra não dizer que teve um só descuido, me ligou no sábado à noite pra falar que tinha acabado de fazer meu imposto de renda. deixou pra morrer no domingo de manhã.




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quarta-feira, 17 de março de 2010

amnésia: esquecimento e lembranças

A amnésia que eu vejo em meus pacientes após um acidente cerebral, na maior parte das vezes, pouco se parece com a síndrome retratada em Hollywood. O cinema em geral mostra casos de pessoas que esqueceram tudo o que já viveram: 'Onde estou?', 'Quem sou?'. Essa é a amnésia retrógrada - apaga tudo dalí pra trás.

Isso aí até existe, mas a amnésia mais comum é aquela igual a da peixinha Dori, do filme 'Procurando Nemo': ela é inteligente, sabe quem é, lembra coisas do passado, mas não consegue guardar coisas da história atual; é um problema de memória recente. Essa se chama amnésia anterógrada.

E é isso que acontece com os meus pacientes: desde que tiveram um acidente eles tem um defeito no registro de novas informações. Então, eles se lembram em geral muito bem de tudo que ocorreu antes do acidente (salvo um apagão de logo antes e logo depois da doença em si), mas não conseguem formar novas memórias de forma eficiente. Assim, a vida desde o acidente vira um amontoado de fatos e informações meio isoladas, desorganizadas cronologicamente. E muita coisa nem sequer amontoa. Apaga mesmo e é como se nunca tivesse acontecido.

Os casos de amnésia anterógrada total existem, mas são raros: é como se a pessoa tivesse parado em um certo dia ou ano de sua vida, e não aprende mais informações desde então. Fica parada em uma época, sem registro de que coisas acontecem e de que o tempo passa. O caso mais famoso dessa patologia foi o paciente HM, de quem eu falei aqui nesse post de 2008, quando ele morreu.

A amnésia anterógrada mais comum, entretanto, não é total. A mais típica é, de novo, muito bem retratada na peixinha Dori que consegue aprender algumas coisas mas não outras. O que ela usa e repete toda hora se fixa de uma forma um pouco melhor, mas o que não usa ou não chama muito a atenção se apaga.

E daí se mostra um fenômeno muito legal, pois apesar de ser frequente também entre as pessoas normais, ele é muito mais acentuado, quase caricato, entre as pessoas amnésicas: é o poder de fixação da memória emocional.

Todo mundo lembra melhor do que interessa, certo? Mas pra essas pessoas não é uma questão de lembrar melhor. Funciona mais como: eu só me lembro do que tem muito valor emocional, ou porque me interessa muito, ou porque me assustou, ou porque eu detestei. Dessa forma, a vida dos amnésicos acaba se orientando por aquilo que é rotineiro e se repete exatamente igual todo dia e fora isso há uma coleção de eventos marcantes. O resto vai e vem no amontoado de eventos desordenados no tempo.

Tudo isso pra contar que acabei de conhecer um homem de 60 anos que sofreu um acidente de carro aos 20. O impacto cerebral foi gravíssimo e ele ficou bem amnésico, assim desse jeitinho mais comum da gente ver: amnésia anterógrada importante mas não total. E isso faz parte da vida dele há 40 anos!

Nesse tempo (dos 20 aos 60 anos) ele teve muita ajuda da familia e amigos e realmente conseguiu uma vida plena: terminou a faculdade, trabalhou, namorou, casou, teve 2 filhos, fez amigos, viajou, enterrou pessoas queridas, viu governos entrarem e saírem, viu filmagens e re-filmagens no cinema e nas novelas da Globo, viu o homem pisar na lua, viu o muro de Berlim cair, viu guerras no mundo, tecnologia, internet, revoluções sociais, mudanças de comportamento, o vai e vem das calças boca de sino e dos carros da Volkswagen.

Na consulta de hoje, como eu costumo fazer com meus pacientes, eu risquei uma linha em uma folha, coloquei o ano de seu nascimento em um extremo e o ano atual no outro, e pedi para que ele apontasse os fatos e eventos que mais o marcaram na vida. Não foi muita surpresa o que aconteceu: até a data do acidente ele marcou mortes, entradas e saídas nas escolas, viagens e o próprio desastre de carro. De lá pra frente, ele marcou sua vida em namoradas, paixões não-correspondidas, uniões e separações. Depois de eu insistir um pouco ele conseguiu fazer umas contas e marcou também o ano de nascimento dos filhos.

Nenhuma só palavra sobre trabalho, perrengues diários, desavenças, pequenos triunfos, grandes feitos, doenças, mortes, nada! Só amores e desamores. Foi isso que sua memória parca selecionou como importante pra ser guardado apesar da deficiência.

Fiquei aqui pensando: da vida a gente não leva nada. E mesmo em vida a gente devia carregar só o que realmente importa...
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

o calcanhar de aquiles da razão

sabe a história do cara super cool que quando tá apaixonado só faz piada sem graça na frente da garota? ou da menina elegante e delicada que quer impressionar o mocinho que ela gosta e acaba tropeçando na escada e levando um tombão na frente dele? essas coisas acontecem porque quando a gente gosta de alguém a gente quer tanto acertar que acaba perdendo a naturalidade. a gente quer tando que de certo que acaba estragando tudo!

acho que isso acontece porque quando a gente tá envolvido de coração a gente acaba desviando toda a nossa capacidade só pra aquilo que a gente sente, pras coisas que a gente quer, ou espera, ou tem medo. estar envolvido emocionalmente em uma situação em geral implica em estar vulnerável, entregue, sem as rédeas. pode ser paixão, decisão profissional, virada na vida, questões familiares, relações de amizade. se você se importa muito com aquilo, é certo que não vai conseguir lidar de forma razoável.

mas você não é psicóloga? pra você não é natural analisar a situação e saber como agir? ha-ha-ha. isso não podia ser mais longe da verdade. quando eu to envoRvida eu faço quase tudo errado. ou atrapalhado. ou estabanado. ou ajo de forma ridícula. ou faço coisas estúpidas. e sempre fico na dúvida. e sempre acho que entendi tudo, mas daí tudo parece diferente no minuto seguinte. the truth is i don't have a clue.

eu não confio mais em mim. eu não confio no meu julgamento, na minha capacidade de tomar decisões acertadas. a dúvida e a incerteza fazem de mim o meu pior inimigo.

meu coração é a minha própria kryptonita.
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sábado, 26 de dezembro de 2009

got fire?




É um filme de diversos diretores composto por 11 curtas rodados em NY. E se parte do glamour de Holywood se devia às baforadas enevoando a cena em um piano bar ou cabaré, agora é a vez dos encontros na calçada - em inglês, curbside - quando as pessoas saem do restaurante pra fumar.

A chatíssima, internacional e inevitável lei anti-fumo acabou com o glamour dos galãs de cinema, infertilizou a filosofia de boteco e criou o anticlimáxico curbside romance. Se ninguém inventou esse termo ainda, tá na hora.

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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

blecaute

eu queria a sorte de uma pane de energia toda noite.
apaga a luz e usa a energia pra outra coisa.

a gente teria aposentado o micro-ondas pra jantar sempre à luz de velas. slow food. a gente ia ter desligado o Friends na tv pra rir das nossas próprias histórias. a gente teria deixado o trabalho no trabalho e a gente não usaria o computador pra nada. a gente ia jogar paciência a dois. com as cartas na mesa.
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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

terça-feira, 8 de setembro de 2009

corações e certezas

ser partido é da natureza dos corações.

(o resto a gente não sabe no que vai dar)
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

trinta e poucos anos

a vida andava parada, parada. passou os vinte na correria, tentando conquistar seu lugar ao sol. chegou aos trinta competente e reconhecida. depois parecia que não vinha mais nada de novo. parecia que já sabia tudo que tinha pra saber.

- volta pra escola, uma amiga falou. vai aprender coisas novas!

apesar da antipatia resolveu que ia fazer inglês. nem tanto por aprender uma coisa nova, mas por achar que ia fazer bem pra carreira. carreira. acostumou com a correria e achava que isso era o fim de tudo. não o fim-final, mas o fim-objetivo.

acabou se apaixonando perdidamente pelo professor. virou o mundo de pernas pro ar. ouvia a voz da amiga ecoando na cabeça: não falei que voltar a estudar ia mudar sua vida?
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terça-feira, 23 de junho de 2009

pra curar qualquer dor

if you're sad, lonely or hurt for any reason
if you feel you could use some healing
just listen to amy singing for a broken heart...




clique aqui pra ver a letra

sexta-feira, 12 de junho de 2009

namorados

você janela, eu corredor
você mapa, eu perdida

lençol, cobertor
casquinha, ferida
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sexta-feira, 27 de março de 2009

amem. amém.

ele era louco por ela. mas tinha que manter a fama de mau.
- casamento? hahaha! vai ser no dia de são nunca!

ela era tão doce. deixava ele reinar. nunca o contrariava.
- tá marcado, então, amor.
- o que? como assim?
- primeiro de novembro. dia de todos os santos...

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sexta-feira, 13 de março de 2009

Chronos, lógico!

Chronos é o Tempo. O Tempo medido. O Tempo que é marcado pelo bater do tic-tac do relógio.

Só que o Tempo pode ser um cara muito inconstante. Tudo depende, veja bem, não seja tão rígido! Nada é assim, preto no branco. É um grande pantone de tons de cinza.

O Tempo pode ser um prestador de serviços dos mais picaretas que há: olha pra cara do freguês e decide na hora o preço que vai cobrar. Não tem como a gente saber de antemão quanto tempo efetivamente ele vai cobrar da gente.

O Tempo às vezes opera o nosso tempo numa grande bolsa de valores que sobe ou desce de acordo com a nossa aflição.

Um expediente de segunda feira dura 30 horas.
Um sábado tem só 9 horas.
Uma hora de terapia acaba em 5 minutos.
Meia hora de sono equivale a quase 1 segundo.
Uma semana sozinha leva um ano pra passar.

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E assim os gregos descobriram kairós, que não é tempo chronos - com seu ritmo lógico e sequencial do passar dos anos. Kairós é o tempo daquilo que a gente vive. Bate em tum-tu-tum junto com o coração.


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quinta-feira, 12 de março de 2009

Ando tão piegas romântica...

Morre homem que recebeu segundo coração
O homem de 53 anos que no início do mês ficou com dois corações após transplante realizado no Instituto do Coração, em São Paulo, morreu às 4h30 de ontem, por falência de múltiplos órgãos. O homem precisou de dois corações porque a doença cardíaca que tinha provocou também problemas pulmonares. O "novo" coração foi colocado no lado direito do peito e se ligava ao órgão original pela veia cava e artérias pulmonar e aorta.
(fonte: Jornal da Tarde)

Afff... já pensou se fosse eu que tivesse passado por essa cirurgia?
Teria morrido bem logo! No máximo no dia seguinte.

O atestado de óbito ia ser assim:

identificação: silvinha, paulistana, portadora de RG baixo, deixou este mundo na madrugada do dia tal.
antecedentes: sofria do coração e do pulmão.
causa mortis: suspirou tão profundamente que se asfixiou. morreu de tanto amor.
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terça-feira, 10 de março de 2009

Chick Flick

Sabe como fazer pra que 9 mulheres independentes, bem-sucedidas e analisadas tenham mini-chiliques, suspirem em uníssono e fiquem com os olhos marejados?

É só o namorado de uma delas mandar entregar flores e chocolate no trabalho.

Ooooooh! Sooooo sweet!


se bem que havia uma delas, aquela com o corvinho no ombro, que parecia estar pensando: eeew! coisa de menina!
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segunda-feira, 9 de março de 2009

Anna Scott, Notting Hill

Sobre a capacidade do cinema de representar as questões existenciais, eu já postei o meu personagem + cena número 1: o anjo do Nicholas Cage no momento em que cai no mundo (Cidade dos Anjos, remake do Asas do Desejo).

Como esta, há outras cenas que me levam pro looping recursivo infinito de pensar na vida. O que, aliás, eu faço o tempo todo, como se não houvesse outra coisa a se fazer no mundo.

Eis meu personagem emblemático + cena número 2: a atriz interpretada pela Julia Roberts no filme Notting Hill. É uma cena tão singela quanto genial que expressa a vulnerabilidade humana, aqui representada pela entrega despida de quem se declara pra pessoa amada.

A super rica, famosa, hollywoodiana, linda e espetacular atriz Anna Scott vai até a livraria do rapaz comum, interpretado pelo Hugh Grant. Ela leva um presente de valor inestimável, que ele não poderia comprar nem que trabalhasse a vida toda. Ela entrega pra ele uma gravura original do Chagall porque lembrou-se que ele gostava. Ele fica estupefato, mas não quer parecer deslumbrado, então resolve play cool e acaba não mostrando o quanto apreciou o gesto.

Ela fala que gostaria de vê-lo de novo. E com isso ela diz que sabe que as vidas deles são muito diferentes e que isso gera desconforto. E que por mais que a ela parecesse certo levar a história adiante, ela sabia que seria um esforço grande. Algo que só se pode aceitar, mas nunca se pode pedir.

Ele, o rapaz comum, se sente intimidado com o tanto que ele próprio acha tudo 'inacessível'. Acaba apenas concordando que aquela história seria muito difícil e não se oferece pra tentar.

Ela engole as lágrimas a seco e diz pra ele que não importa o dinheiro que ela tenha ou a fama e glamour que ela represente. Que alí ela é apenas uma garota pedindo a um rapaz que goste dela.

''I'm just a girl, standing in front of a boy, asking him to love her''.

O choro sufoca porque ela se dá conta de que tudo que se agrega de valor na vida é só uma casquinha. Querer alguém é despir-se de tudo e ficar a mercê do outro. Totalmente vulnerável.

Ao mostrar o seu querer você se expõe, apostando que seu sentimento seja acolhido e se transforme na maravilha do 'encontro'. Mas correndo o risco de uma dor tão dura que abala nossa vontade de sobreviver. Que é a dor de quem entrega seu coração de presente e o outro, por qualquer que seja a razão, não aceita.
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