sexta-feira, 21 de agosto de 2009
follow up
por causa de uma dessas tais pesquisas, nesta semana eu tive que repassar o banco de dados de pacientes que foram atendidos desde 1998 (ano do meu ingresso na uni e da inauguração do serviço).
acabei me dando conta de que lembro de cada um dos pacientes que tive contato. só de olhar o nome. lembrei do rosto, da história, da família. sei que vai soar piegas, mas eu também lembrei de muita coisa que eu aprendi com vários deles: a primeira vez que entendi uma ressonância, o que é de fato uma amnésia, o quanto faz falta entender a piada, o valor de ter um sentimento validado por outra pessoa. infinitos insights e lições que me fizeram uma pessoa melhor e uma profissional menos inábil na hora de tratar os próximos que vieram.
entramos em contato com um grupo de pacientes pedindo que comparecessem novamente ao serviço para participar de um dos nossos novos trabalhos. os familiares de vários deles foram gentilíssimos e toparam nos ajudar, então terei o privilégio de revê-los em breve e saber como é que a vida vem caminhando. alguns estavam empregados e não teriam horário disponível. alguns não estavam dispostos a vir. um deles faleceu há 2 anos. a mãe de um outro faleceu há alguns meses, e como o pai trabalha o dia todo não teria quem o trouxesse. alguns não foram encontrados pois os telefones mudaram.
fiquei meio esquisita, coração apertado.
às vezes eu tenho medo da vida.
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segunda-feira, 17 de agosto de 2009
sibéria
e eu já estou atendendo lá.
creio ser essa a minha principal fonte atual de antipatia.
falta uma porta - de duas - entre a sala de espera e a de atendimento.
falta mesa de tamanho apropriado.
falta cadeira.
faltam estantes.
precisa de uma faxina.
precisa que uma criatura vá lá mudar o fiozinho que liga o telefone.
precisa rever toda a instalação elétrica, pois as lâmpadas queimam todo dia.
e o pior de tudo: estou sem internet.
PUTAQUEOPARIU!
não existe vida offline.
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quinta-feira, 21 de maio de 2009
a geografia, a correria e o mau humor
começa a complicar quando você passa a ter dias na semana que tem que ir para os 2 lugares.
vai complicando um pouco mais quando você se inscreve em um curso de estatística que rola todos os dias até 9 e meia da noite.
mas parece que o bicho pega mesmo quando você tem que achar um outro consultório, organizar reforma e mudança simultaneamente a isso tudo.
tem horas que você tem que dar graças a deus por sua família estar longe de você. se eles estivessem por perto, e então eu fosse obrigada a encontrar seres humanos depois da labuta, eles iam ouvir tanto resmungo e malcriação que criaríamos um novo problema.
tô tão chata que nem eu me aguento!
ps: não sei se vocês entenderam, mas na verdade eu tô magoada e ressentida que vocês todos se mandaram e eu fiquei aqui. fiquei aqui, sozinha e chorando.
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terça-feira, 12 de maio de 2009
Atchiiim! Óinc!
Agora eu lí uma reportagem dizendo que a gripe suína chegou a Cuba, Tailândia e Finlândia.
Eita virus democrático!
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(Droga, bem agora que a gente estava usando o argumento da gripe pra convencer o chefe a cancelar o congresso do México e trocar pelo evento da Finlândia, mesmo sendo mais caro...)
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segunda-feira, 11 de maio de 2009
Uma dancinha ao redor do Mundo
Era uma vez uma cara de Connecticut que se mudou para Los Angeles pra trabalhar numa empresa de informática. Vivia dentro carro: para o trabalho, para o shopping, para casa. Um dia encontrou as circunstâncias favoráveis pra trabalhar fora dos Estados Unidos. Descobriu, então, o prazer de viajar e, como bom americano, arranjou um jeito de capitalizar em cima: descolou um sponsor para financiar suas viagens e assim registrar sua dancinha geeky ao redor do mundo.
O resultado mais famoso é um videozinho que ele fez, chamado "Onde diabos está o Matt?". Basicamente trata-se de um carinha se divertindo e fazendo molecagem em várias locações do planeta, com uma música de fundo tão estranha quanto cativante, que te leva a uma espécie de transe. Essa história me ajuda a lembrar que o mundo é muito maior que nosso dia-a-dia e que viajar é a melhor coisa que há.
Se trabalhar pra caraca tem alguma razão, pode crer que é esta: viajar pra ver o mundo, conhecer gente diferente, coisas impensáveis, outras formas de viver. Ver coisas novas põe nossa realidade limitada em perspectiva e ajuda a gente a não levar essa vidinha tão a sério.
UPDATE:
contribuição do Lavi, que mandou o 3o video do Matt.
clique aqui pra assistir.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Caramujo
Mas tava tudo bem, porque a gente estava junto. Ninguém poderia escolher uma turma melhor pra começar a carreira. Sócias, amigas, irmãs. Foram anos de pindaíba coletiva, meses e meses no negativo, trabalhos braçais alternativos pra sustentar o CENPS (era assim que chamava o nosso Centro de Neuropsico).
Apesar de muito trabalho no hospital (não-remunerado) o consultório começou muito fraco e nossas contas eram absurdamente altas. Assim sendo, nosso dinheirinho de pagar as contas e as cervejas vinha da venda de mantas de algodão, trabalho no balcão da cafeteria, aula de balé, aulas de inglês, secretariagem da professora, baby sitting, monitoria de acampamento, rolo com o vale refeição dado pelo pai.
Passados os primeiros anos de puro sufoco, todas nós fomos nos ajeitando e pudemos fazer do consultório nossa fonte de renda principal. Foi a melhor época da minha vida profissional, sem sombra de dúvida.
A gente foi crescendo, namorando, juntando, casando, mudando. Uma saiu e voltou, a outra saiu e mudou, a outra veio, a outra foi, a outra mudou um tempo depois. Em 2006 sobramos eu. Mudei de andar, arrumei uma nova sócia e eis que aqui estou há 13 anos, neste mesmo prédio.
Só que agora eu preciso mudar porque o espaço ficou pequeno demais pra uma sócia e eu. Vou agora em carreira solo. Um consultório só pra mim.
Só que eu tô pra morrer de preguiça e antipatia de pensar em bater perna pra achar um lugar novo (semanas andando, mil telefonemas, negociação de grana, conquistar o novo porteiro, descobrir as manhas do lugar), reformar tudo (semanas e semanas de encheção de saco e gastos exorbitantes), encaixotar minhas coisas, dividir "os bens" com a futura ex-sócia, fazer a mudança, avisar todo mundo (colegas, telefonica, internet, bancos e assim vai)...
Eu sofro demais cada vez que tenho que mudar qualquer coisa, mas a verdade é que eu gosto. Mudança é bom. Eu gosto de coisa nova. Mas tô apavorada de pensar no perrengue que eu vou passar nos próximos tempos.
Porque dessa vez estou como vim ao mundo e como dele sairei: sozinha.
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quinta-feira, 7 de maio de 2009
existe ex-c.d.f.?
Já houve um tempo em que eu era mais assídua com meus compromissos. Eu cumpria tudo. E se por ventura me atrasasse eu ficava maluca! Trabalhava mais e mais e agilizava pra ficar sempre em dia.
O que aconteceu ao longo dos últimos talvez 5, 6 anos foi que eu acabei me envolvendo com muito mais trabalho do que eu posso de fato cumprir. E como eu não fiquei mais eficiente, a consequencia foi uma grande flexibilização do meu senso de responsabilidade.
Agora eu não faço e meio que tô nem aí... na verdade eu até me preocupo um pouco, mas não o suficiente pra sair correndo atrás de tudo. Eu não sou mais uma pessoa com quem se pode contar.
Eu era 'firmeza'! Mas acabei sendo corrompida pelo sistema.
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quinta-feira, 23 de abril de 2009
o que cabe em 1,10m de altura
uma vozinha estridente corta o sossego:
- noooossa! tem um bocado de moça trabalhando aqui!
as "moças" se voltam pra descobrir um pequeno usando camiseta do homem-aranha. nem um pouco intimidado em ser o centro das atenções ele emenda:
- óia! é só moça bonita!
o maracanã vem abaixo.
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o nome dele é Lucas, ele fugiu da sala de espera e veio aqui dar uma espiada. ele já passou por 11 cirurgias. já ganhou do câncer e agora está na luta pra conseguir acompanhar a escola. ele tem nome de santo. o protetor dos médicos. veio aqui hoje pra salvar o dia das psicólogas.
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quarta-feira, 8 de abril de 2009
vida tosca - um haikai
outono bruto cai a folha em luto
trabalhar sem parar me emputece
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terça-feira, 24 de março de 2009
plano de carreira
então resolvi fazer uma lista de ocupações alternativas pra, quem sabe, mais pra frente, se eu me animar: jogadora de poker, garçonete, guitarrista de banda de rock, ladra de banco, astronauta, espiã, gandula de roland garros, cantora de jazz, croupier em vegas, palhaça do cirque du soleil, guarda de trânsito em roma, professora de pré-escola, madame da oscar freire, presidente de fã clube de banda indie, sheik do petróleo, tapeceira no irã, perita do c.s.i., fotógrafa, manicure, produtora do glastonbury, voluntária da cruz vermelha, dog walker na costa leste dos estados unidos, aeromoça, produtora musical, vendedora de avon, cool hunter em nova york.
é. uma dessas coisas.
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quarta-feira, 11 de março de 2009
Parabéns pra mim também
Já faz um tempo que eu acho que tenho que me desculpar, porque acabei perdendo a razão, que de fato tinha, quando fui grosseira e descuidada no modo de falar. Mas estava muito difícil de fazer isso, sabia?
Sei lá, nunca me achei orgulhosa, mas dessa vez foi bem difícil abaixar a cabeça. Então tenho convivido com um clima bem ruim há 3 meses sem saber muito como me conduzir... que droga! As relações são tão delicadas, né?
Enfim, hoje tomei coragem e fui lá me desculpar. O mais difícil foi achar humildade pra só me desculpar e não explicar ou justificar ou argumentar. Só assumir o que me coube de desajeito e pedir perdão. Cara, isso parece tão old-fashion, não? Mas sabe que ainda tá valendo essa parada? Funciona, viu... e no final a reação foi super boa do lado de lá. Claro.
E tô me sentindo mil vezes melhor, com a certeza de que fiz a coisa certa e, pelo menos um pouquinho, ajudei a fazer do mundo um lugar menos cínico e leviano.
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terça-feira, 10 de março de 2009
Chick Flick
É só o namorado de uma delas mandar entregar flores e chocolate no trabalho.
Ooooooh! Sooooo sweet!
se bem que havia uma delas, aquela com o corvinho no ombro, que parecia estar pensando: eeew! coisa de menina!
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quarta-feira, 4 de março de 2009
o corredor X a salinha
era a fase que eu e meus amigos estávamos no começo da carreira. ninguém ainda tinha dado certo na vida, mas existia uma certa esperança e uma certa chance de que a gente ia virar alguma coisa. estávamos semi-encaminhados, mas lá no final da cadeia alimentar, por assim dizer.
todo mundo meio em cargos de peão, ocupando o espaço do corredor, mas cheios de gás, cheios de idéias. e de brilho. a gente tinha que por a mão na massa, trabalhar pra valer, às vezes tinha algum pepino que só a gente sabia resolver. principalmente se era alguma coisa no computador. logo eu! a estagiária recém-formada era obrigada a passar a noite refazendo o trabalho deles porque nenhum dos fodidões sabia nada! na-da! só tinha mané naquele lugar...foram várias altas horas fazendo trabalho braçal. mas sem muita responsabilidade. sem ter que decidir nada. só cumprindo as ordens que vinham do cara lá da salinha. ah! que longos cafés a gente tomava naquele corredor reclamando que alguém tinha dado tanta coisa pra gente fazer! o que que eles estavam pensando? por que não decidiu antes que era pra fazer do jeito B e pediu o jeito A? sabe come é chefe, né? chegou lá por pura politicagem, mas é uma anta.
só que naquela época, quando a gente ia pra casa, não levava nenhuma preocupação. a gente era feliz e quase não sabia que era depois do trabalho no corredor que a vida mostrava seu lado mais doce: sentar no bar com todo mundo e reclamar de o quanto o mundo era injusto por a gente não ter a grana e o tipo de trabalho que merecia! na boa, fora a gente, só tinha imbecil no mundo! a gente era a promessa. a solução. a genialidade bruta e incompreendida.
a gente passava noites e noites juntos no bar, inconformados com a incompetência e a mediocridade dos nossos chefes. se quem manda não fosse tão medíocre, nosso talento já teria sido revelado! é que aqueles adultos, sentados nas suas salinhas, insistiam em fazer tudo errado. não sabiam nem usar o excel e vinham mandar a gente, que estava naquela mesinha improvisada no corredor, refazer todo o trabalho que eles mesmos tinham pedido. e nem falavam inglês direito! como é que um despreparado desses virava chefe? a gente não entendia.
até que um dia a gente ganhou uma salinha qualquer, um crachá escrito aspone, um pouco mais de grana e muito, mas muito mais responsabilidade. e o compromisso de fazer acontecer no mundo real, nem que tivesse que ser medíocre. a gente aprendeu que o que funciona é o arroz com feijão, desde que seja no prazo e dentro dos critérios estabelecidos.
e em troca a gente abriu mão da nossa cabeça fresca no final de semana, do nosso tempo livre pra tomar longos cafés ou infinitas cervejinhas no bar. e quer saber o pior de tudo? a gente teve que abrir mão de talvez ser genial. e teve que parar de ficar só reclamando pelos corredores. o mundo não é justo mesmo.
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Workaholic
100% de foco no trabalho! Igual a moça da música aí:
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Going nowhere. But fast.
Etapas pré-estabelecidas, prazos, deliverables. Eficiência, tarefas cumpridas, follow up. Metas. Controle de riscos. Sucesso.
Daí dormir não tinha mais a função de descansar. Só servia de atalho pra chegar mais rápido no próximo dia de expediente.

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
dívida externa: ex-dívida eterna
Se a crise tiver que piorar, paciência.
Se a bolsa ainda tá no vermelho, lamento.
Mercados asiáticos em pânico? Sorry.
Que a economia globalizada se lasque.
Dane-se o dolar.
Exploda-se o dolar.
F#da-se o dolar!
Screw it! Big time! I couldn't care less...
Porque agora a gente não deve mais nada pra gringo nenhum!
Pode ver aí, ó:

Na época eu ficava pensando se aquilo tudo não era um absurdo, porque eu sabia que ia levar muito tempo pra conseguir devolver a grana. Tinha medo de encarar anos e anos ralando pra pagar uma dívida... Sei lá. O corajoso sempre foi 'o cara', não eu. I am just a girl, you know?
Outro dia me perguntaram se valeu a pena.
Valeu cada penny!
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sábado, 10 de janeiro de 2009
Gente que faz
Acabei de voltar da Espanha e tive a grata surpresa de constatar que o país se adaptou bem mais aos cadeirantes. Tem rampa, elevador e facilitadores de barreiras em toda parte. Assim, como feliz consequência, vê-se muita gente de cadeira de rodas pelas ruas, museus, lojas, parques. Vivendo livremente na rua. Eficientes na vida. Um alívio. Deu uma esperança de ver em larga escala a idéia de que cada um deve poder usar o que tem de melhor e não ser impedido pelas suas dificuldades.
Lembrei de uma história legal de um grupo de terapia que eu vi na faculdade. Era uma turminha de 8 pessoas com deficiências diversas que estava na vida, estudando, trabalhando, amando, lutando. Eram 3 homens e 5 mulheres, entre elas duas chamadas Maria: uma com deficiência auditiva e a outra visual. Eles se encontravam com o terapeuta uma vez por semana e dificilmente alguém faltava, mas os atrasos eram constantes, visto que dependiam de transporte público e às vezes ainda tinham contratempos adicionais aos da maioria das pessoas.
Numa certa tarde a terapeuta estava esperando na sala, quase dez minutos passados do horário da sessão e ninguém tinha chegado ainda. Logo apareceu o Giba, esbaforido, pedindo desculpas e dizendo que o trânsito estava uma loucura. Mas que não era pra se preocupar porque ele tinha falado com todo mundo e todos tinham confirmado que iriam à sessão sem falta, menos a Maria, que ia numa missa de batizado ou algo assim. Em seguida, a pergunta da terapeuta foi: Qual das Marias?
E a resposta do Giba: A que escuta.
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A-ha! Isso aqui não é pra principiantes! Sacou?
Se a vida te der limão, faça limonada.
E se só der pra fazer meio copo, diga que o copo está meio cheio.
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Era uma vez...
"Era uma vez uma garota que sempre foi muito CDF e tinha uma profissão que às vezes deixava ela muito triste, de tanto ver sofrimento. O trabalho dela não tinha glamour nenhum, não ia fazer ela ficar rica e de vez em quando ficava muito, mas muito chato mesmo.
Ainda assim, ela continuava fazendo aquilo todos os dias, pois achava que era o que ela sabia fazer bem feito. E ela tinha dificuldade de fazer coisas que ela achava que não sabia fazer direito. E era bem medrosa. E também porque ela não tinha nenhuma idéia melhor.
Um belo dia, digo, uma bela noite - acho que era uma terça-feira ou um final de semana - aconteceu uma coisa extraordinária! Ela foi descoberta por um olheiro da Agência de Empregos Felizes. Esse agente foi capaz de enxergar o real talento daquela garota e sabia como fazer este dom virar uma coisa produtiva e rentável!
A partir de então, recebendo um salário de petrodólares da indústria da cultura e do entretenimento, ela passou a exercer a profissão de companhia-de-pessoas-legais em cafés, bares, cinemas, baladas de gente esquisita e viagens maravilhosas! Seu rendimento profissional era agora medido por seu envolvimento em conversas animadas, piadas sensacionais e discussões filosóficas sobre a vida. Ela estava sempre cercada de gente bacana e interessante, e não precisava conviver com nenhuma pessoa que fosse mala ou do mal.
E foram todos felizes para sempre!"
F I M
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Desabafo!
Essa capachocracia* que rola hoje por aí não ia ter vez. O cara bom teria o que lhe fosse de direito. O cara ruim ia pastar. Não ia adiantar puxar saco. Paciência. So sorry. Lamento.
Vamos ver se deu pra entender: o cara incompetente e bonzinho CONTINUA incompetente. A gente até gosta mais dele do que do incompetente e mau-caráter, mas AMBOS são igualmente incompetentes. Sacou?
*o nome originalmente inventado pela Pri e eu era limpabundocracia, mas achei meio pesado.
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sábado, 15 de novembro de 2008
Daqui a pouco eu faço!
Não estou nem falando do truque de fingir que não tenho nada pra fazer. Falo dos artifícios usados para, deliberadamente, não fazer o que deve ser feito, mesmo quando:
1) já me dispus a fazer e
2) já me posicionei para a ação.
Na época da escola, começava a estudar sentada de frente para os livros (vejam bem: estava disposta e posicionada), mas logo iniciava o ritual de procrastinação. Nessa época minhas ferramentas eram o abrir-contemplar-fechar de geladeira, o início da MTV Brasil e os incontroláveis cochilos em cima do material.
Durante a faculdade incrementei meu repertório com os textos-viagens-filosóficas e cigarro. Este último particularmente eficiente.
Mais tarde somaram-se os joguinhos de computador, a internet discada, o ICQ, a banda larga. Aí
Passei pelos sites de bandas, artistas, universidades, autores, fashionistas, doenças, bobagens, notícias, mundo cão, download de músicas, e tudo mais. Foram anos e anos adiando tarefas.
Até que tudo deu uma equilibrada há um tempinho. Não que eu tenha chegado no fim da internet (juro que meu irmão chegou!). Mas já conseguia restringir meus interesses. E voltei a ser uma pessoa produtiva: fiz relatórios, artigos, capítulos de livro, aulas! Infelizmente isso já é passado, agora.
Comecei a seguir blogs há uns meses. Todos os dias, antes de começar a trabalhar, sou compelida a checar mais de uma dúzia de endereços de pessoas que escrevem coisas que eu gosto de ler. Famosos, amigos ou desconhecidos. Estou fanática. Chego ao cúmulo de escrever para alguns desses blogueiros reclamando de baixa produtividade ou outra bobagem. Virei 'mala'. É o fim!
Sou uma seguidora compulsiva de idéias alheias. Quero saber o que se passa na cabeça das pessoas. Quero acompanhar a vida dos outros, pra poder procrastinar o ato de cuidar da minha própria. Quero me ocupar dos outros. Assim dou um jeito de disfarçar e ignorar a areia que escorre desvairadamente nessa ampulheta que me acompanha.
Quero fazer tanta coisa nessa vida que não consigo sair do lugar. I'm fucking stuck.
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