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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Garibaldo

não é fácil manter tudo em ordem. a casa, a saúde, os compromissos, tudo mais. estou em franco movimento de tentar manter o que sobrou. da casa, da saúde, da vida toda. estou jogando fora o que ninguém quer mais. tentando achar um novo dono pro que pode ser reaproveitado. estou limpando, lavando, consertando, reformando o que está em uso.

nesta última categoria estavam as almofadas de casa. precisavam de um bom banho. algumas precisavam de um ziper novo. outras de um remendinho. uma das minhas preferidas, a de nózinhos de retalhos amarelos, estava precisando de tudo isso. fiquei na dúvida se valia a pena ou não me dar ao trabalho.

daí pensei nos bons tempos em que ela era conhecida como Garibaldo. companheirão. parceiro. amigo Garibaldo. participava de ensaios musicais, esbórnias de vinho, festas de família, visitas de nenês e avós. estava nas fotos ao nosso lado, ao lado dos alegres convivas, ao lado dos irmãos de passagem, vindos de terras distantes. acordava enlaçado por amigos desnorteados que capotaram no sofá e mal se lembravam onde estavam.

tomei o cuidado de costurar o que precisava antes de mais nada. depois liguei o ciclo suave da máquina de lavar. mas não teve jeito, não. despedaçou-se em centenas de retalhos amarelos. não resistiu. recolhi suas penas-retalhos tom sur tom e coloquei-as no lixo, junto com o desmantelado resto da peça.

no prosaico ato de amarrar o saco de lixo me vi num momento que se encheu de sentido. estou no meio de escombros. roupas, objetos e lembranças. ao despedir do Garibaldo tive medo de nunca mais conseguir olhar as fotos e, pra não sofrer mais, acabar apagando da memória todo o tempo que se foi.

domingo, 5 de setembro de 2010

a day in life

a gente não saberia dar valor pra alegria se não existisse o sofrimento. isso parece fácil de compreender. o mais doido pra mim é entender que a gente tem que achar um jeito de fazer os dois conviverem. a gente tem que achar espaço pra criar e sentir alegria, apesar do sofrimento (e este último é mais certo e garantido na vida da gente).

ontem foi um dia de sofrimento ruim. sofrimento pra caralho. sem fim. sofrimento sem esperança de passar. mas não sei nem como explicar, foi também um dia de alegria, porque eu tinha meus amigos comigo. eles deram um jeito de me obrigar a me sentir feliz, mesmo na presença da dor e da falta, mesmo sabendo que isso tudo ainda está longe de acabar.

ainda bem que eu tenho um monte de gente pra amar. meus amigos me fizeram sentir gratidão pela vida. mesmo e apesar de tudo.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

TIL THE VERY END

não é força de expressão.
seria mesmo mentira dizer que tenho alguma queixa dele.
meu pai cuidou de mim a minha vida inteirinha.
não houve uma só vez que ele me deixou na mão.
pra não dizer que teve um só descuido, me ligou no sábado à noite pra falar que tinha acabado de fazer meu imposto de renda. deixou pra morrer no domingo de manhã.




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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

terremoto no haiti

sabe aquele cara que fuma, bebe, é obeso, escrotão com a família e só pensa em dinheiro e stress, daí tem um enfarte que acaba salvando a vida dele porque ele começa a se cuidar?

então, tomara que o terremoto seja o enfarte do haiti. os caras estão fudidos há tanto tempo com conflitos políticos, violência, miséria... sei lá. call me naive, call me amelie poulain. mas será que mais essa catástrofe não faz a comunidade internacional se mobilizar de verdade pra melhorar a vida daquele povo?

tomara...



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terça-feira, 24 de novembro de 2009

totó

heitor com agá. benedicto com cê mudo. prado. tinha o apelido de totó e era o mais novo dos meninos. minha vó chamava os três filhos de meninos até o dia que morreu aos 96 anos (os "meninos" passados dos 70). ela contava que o tio heitor nasceu fraquinho, fraquinho. foi uns tempos pra fora da cidade, morar com a vó dele, pra mudar de ares. ninguém sarava sem mudar de ares. quem diria que ia virar um touro de forte? comia uma dúzia de bananas e uma dúzia de ovos todo dia de manhã antes do tiro de guerra. dizem que foi um jovem lindo de morrer. formou-se para cuidar de gente. primeiro professor e depois dentista. mas foi trabalhar mesmo com números. dizem que era muito genioso e difícil. mas isso é o que dizem. eu mesma nunca conheci esse lado. só sei que seguiu sozinho a maior parte do tempo. teve duas mulheres. uma filha com cada uma. duas netas e três netos. tinha um coração enorme. participava sempre da vida de todo mundo, queria saber de tudo, nunca esqueceu um aniversário. comia muito, muito devagar. sempre rezava antes das refeições. era sistemático e inteligente. sabia um pouco de todos os assuntos. adorava crianças. adorava doces e comidas diferentes. ficava tão animado com presentes comestíveis que me fez criar uma tradição de levar-lhe um panetone todo final de ano só pra ver a cara dele de satisfação. nos últimos meses esteve fraquinho de novo. mudou de ares pra ver se sarava, mas não teve jeito dessa vez. ontem o coração dele parou de bater. hoje estava todo mundo lá pra se despedir e dizer que ia sentir muita saudade dele. foi triste, triste.
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

tempestade de areia

ardem meus olhos de pouco dormir, muito chorar ou falta de umidade no ar?
meu peito aperta de muita tristeza, tanto cigarro ou calor infernal?
essa indisposição inerte veio pelo cansaço, pela apatia ou pela temperatura?

não é possível se sentir tão mal assim. it's gotta be the heat!
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E o vento vai levando tudo embora...

Maldito Renato Russo!

Vento no Litoral - Legião Urbana



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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

perspectiva

tem umas épocas na vida da gente que não dá pra entender nada do que tá acontecendo. parece que você tá no meio de uma multidão, seguindo um fluxo que vai pra sabe deus onde.

nessas horas a gente queria conseguir olhar de cima, tipo um google maps. só que isso é muito, muito difícil.

na real, tudo que a gente consegue fazer é ir seguindo como pode. a gente faz o melhor que dá. e torce pra a vida seja um pouco menos ao acaso do que parece. torce pra que tenha alguém conduzindo um master plan que alguma hora vai fazer sentido.


Exibir mapa ampliado

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

is this real life?

¿oɐu 'ınbɐ ɹod ǝʇuǝɹǝɟıp ɐsıoɔ ɐɯnƃʃɐ ɯǝʇ ǝnb ǝɔǝɹɐd http://migre.me/7Hwd

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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

home


HOME IS WHERE IT HURTS - CAMILLE
My home has no door
My home has no roof
My home has no windows
It ain't water proof
My home has no handles
My home has no keys
If you're here to rob me
There's nothing to steal

(A la maison. Dans ma maison. C'est là que j'ai peur)

Home is not a harbour
Home home home
Is where it hurts

My home has no heart
My home has no veins
If you try to break in
It bleeds with no stains
My brain has no corridors
My walls have no skin
You can lose your life here
Cause there's no one in

(A la maison. Dans ma maison. C'est là que j'ai peur)

Home is not a harbour
Home has not a hearse
Home is not a harvest
Home home home
Is where it hurts




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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

o fim de uma era

descobri que eu não gosto de bar sem cigarro.
ter que sair pra fumar - nem que seja só até ali - trava a conversa e estraga o mood da mesa. dá pra ser feliz no bar sem beber. mas não sem fumar. it sucks big time.
acho que agora tá na hora de ter filhos ou escolher outra atividade preferida de todos os tempos.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

air france 447

a família orleans e bragança confirmou que o príncipe estava no vôo, e eu fiquei triste pelos parentes e amigos que vão sentir a falta dele. mas o que eu fiquei pensando mesmo foi na mocinha que há anos economizava pra fazer a viagem dos seus sonhos e se sentir uma princesa em paris. que puta sacanagem que é morrer na ida.
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Tomara! Tomara!

Gente, eu vi um post no Blog do Mi que me deixou com o coração partido. Vocês têm que ir lá ver. Juro que todo mundo tem que ver. (Clique aqui que eu te mostro: videozinho do BLOG DO MI)

Dá pra sentir a responsa que a gente tem cada vez que reproduz uma estupidez sem pensar. Sei que o estrago é grande, mas dá pra melhorar se a gente conseguir mudar um pouquinho dentro de cada um. Eu sei que parece daquelas ideiazinhas pequenas, mas eu acho que são essas que podem fazer o mundo ser um lugar mais legal daqui um tempo.

Juro que eu acredito, call me naive de novo, call me Amelie Poulain, tudo bem. Mas eu acho que o mundo vai ser melhor no dia que todas as crianças puderem se achar lindas e legais, porque elas vão ter orgulho de outras pessoas iguais a elas. E vão poder se espelhar. Olha, tomara, tomara que as Obaminhas ajudem a mudar isso! (né Méliss?)
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Coisas do coração

Um casal de seus 40 e poucos anos comprou o apartamento de baixo do nosso. No final do ano passado começaram uma reforma grande, que ainda nem acabou. Mas ele morreu na semana passada, me contou o rapaz que está pintando o teto da sala. Foi do coração. Dormiu e não acordou. Nem teve o gosto de ver a casa nova pronta, foi o que ele disse enquanto tirava o excesso de tinta do rolo.

Eu lembrei de quando nós compramos o nosso, e da reforma, e da nossa idéia de deixar tudo bem lindo pra receber os amigos, e dos nossos sonhos de tudo que a gente ainda vai viver aqui. E pensei que isso já faz 3 anos e que até agora a vida tem sido ainda mais generosa que os nossos planos. E fiquei com o coração tão apertado e lembrei de agradecer a quem quer que seja por ter tudo isso e principalmente por ter você aqui comigo.
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